•23/11/2009 • Deixe um comentário

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Poetas Malditos de Curitiba.

O público foi o espetáculo e deu um show de arrepiar.

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Na sexta-feira, dia 20, 09,30 h da manhã, eu e o Careqa subimos no palco da Villa Batel, um amplo salão ocupado por 1.500 pessoas, todas elas ligadas à rede municipal curitibana de educação, para apresentar um espetáculo de pouco mais de uma hora – Poetas Malditos de Curitiba.  A receita foi bastante simples: eu falava alguns poemas de poetas considerados malditos, com alguns comentários sobre suas vidas, e o Careqa entremeava com algumas canções. O resultado não poderia ser melhor e o público foi à loucura total e absoluta. Cantou, gargalhou, dançou, se emocionou e, no fim, aplaudiu de pé durante 5 minutos. Mais que isso, comprou todos os livros e CDs que levamos. Uma festa de autógrafos, sorrisos e parabéns.

Eu e o Careqa chegamos a pensar que estávamos sonhando, tamanha demonstração de carinho, mas era real e saímos dali com a alma e o coração tomados de felicidade.  O público nos deu as flores em vida e isso foi talvez a coisa mais maravilhosa que já presenciei nos meus 58 anos de Curitiba. Parabéns para Eleonora Fruet, Marilda Confortin, Daniel Faria e toda a equipe da Prefeitura. Cada um se desdobrou em 10 para tudo dar certo.  E deu.

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Obrigadão.

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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•22/11/2009 • Deixe um comentário

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Cidades

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“E debaixo de uma outra civilização
Bate o coração, ruína dura de roer.”

Roberto Prado

Não adianta fugir e se esconder no meio do mato, pois as árvores não vão quebrar o galho de ninguém. Mas nem por isso fiquem pensando que isso que vocês fizeram com suas cidades é uma coisa normal. Elas são o mundo cão onde a maioria está num mato sem cachorro. Vocês que, com seu egoísmo e suas boas intenções, fizeram de seus habitats um amontoado de gente sozinha, sem pai nem mãe, império do salve-se quem puder. E, pior, cada um por si e Deus contra, como disse o Alberto Centurião.
Nas suas cidades vocês têm todas as desvantagens da falta de espaço natural mas, apesar do empurra-empurra, não aprenderam a desfrutar das vantagens de uma vida amorosa, feliz e solidária. O vizinho pode morrer seco e arreganhado; o irmão, com as mãos à feição de conchas, pode beber água da sarjeta; assim mesmo, vocês não hão de desgrudar o traseiro individualista nem para buscar pão para a mãe querida.
Mas quem são vocês? Originais de onde? Babilônia é sua terra natal? Tudo tem que dar certo? Tudo tem que dar lucro? Tudo tem que ter um preço? De quem vocês estão se defendendo? A quem você atacam?
Ainda bem que existe um outro coração por trás dessas cidades, e, somente ele, por atrito benevolente, vai extrair, de vocês, hoje pedras brutas, o brilho do sol da nova aurora humana. Que assim seja, Mautner!

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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Imponderabilíssima

A cidade que vejo, nítida, em meu sonho,
não está incrustada nos pontos cardeais,
invisível se ergue imaterializado escombro
no horizonte de meus limites sensoriais.

Nenhum sinal, farol, radar, vai indicar
marco zero, pedra fundamental, obelisco solto,
a Eldorado de qualquer outro sonhar,
aqui e agora não são mais ali daqui a pouco.

O que imagino, o que eu sempre consigo ver,
aparece no meio da noite quando estou sozinho,
mendigo do poço dos desejos pagando pra ser
a próxima esmola das imagens em redemoinho.

Ou então quando, príncipe, todos se curvam,
como se apenas eu, sob os aplausos da cidade,
passasse sob o arco daqueles que triunfam
e, humilde, aceitasse a glória da eternidade.

Mas a cidade, sem nenhum príncipe ou mendigo,
irredutível resiste aos estragos de meu ego.
E assim a essência que revejo fica comigo:
bengala tateando o relevo em que trafego.

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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A volta triunfal

aqui vamos fazer nossa casinha
ali a fábrica não ficará muito longe
uma escola com vista pra montanha
e o templo sem imagem nenhuma

desta vez não vamos sujar o rio
nem inventar leis desalmadas
apenas novamente simples heróis
descobrindo mundos, trocando fraldas

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Roberto Prado

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já era uma vez…

inquieto
em Kioto, com saudades
de Kioto

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Matsuó Bashô

( Japão, 1644-1694)

Por Antonio Thadeu Wojciechowski

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Antes, depois e entre

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A Van Gogh

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Olhe bem para a sua cidade.
No reflexo do edifício em frente,
Ela surge súbita no detalhe
Quando cai a noite magnificamente.

Mas…ainda não. O dia tarda.
O sol nas ruas, encarnado, deita,
Enquanto o espírito noturno aguarda
E imagem semelhante aceita.

Os becos, avenidas e alamedas
Matizam pedestres e automóveis.
Da janela, aviste as últimas labaredas,
Perfis, silhuetas, sombras móveis.

Veja só: você, a cidade
E o tempo, como as pessoas, passando.
Pode se beliscar à vontade,
Você não está sonhando!

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Marcos Prado e Ubiratan Gonçalves de Oliveira

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Paisagem

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Vem, céu, inspira-me os mais puros monólogos.
Dá-me a emoção das estrelas, o amor dos astrólogos,
E, junto ao som dos sinos, deitado, sonhando,
O cântico dos cânticos que o vento vai levando.

As mãos sob o queixo, minhas queixas são nada,
Apenas as fábricas numa trabalheira desgraçada;
Torres, chaminés, mostras de mastros na cidade,
E grandes céus imensos a optar pela eternidade.

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(…)

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Charles Baudelaire

(França, 1821-1867)


Por Antonio Thadeu Wojciechowski

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À flor da terra natal

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primavera agora
não vejo nem a cor do céu
como vi em Nagoya

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Tokoku

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Por Antonio Thadeu Wojciechowski

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Lisbon Revisited

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(…)
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida…
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui…
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui de novo tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligada por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração longínquo, a alma menos minha.

(…)

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Fernando Pessoa

(Portugal, 1885-1935)

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Lamentações de Curitiba

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Ó Curitiba Curitiba Curitiba, estendes os braços perfumados de giesta pedindo tempo, quando não há tempo.
Ó Curitiba Curitiba Curitiba, escuta o grito do Senhor feito um martelo que enterra pregos. Teu próprio nome será um provérbio, uma maldição, uma vergonha eterna.
Curitiba, o Senhor chamou teu nome e como o de Faraó rei do Egito é apenas um som.
A espada veio sobre Curitiba, e Curitiba foi, não é mais.
Não tremas, ó cidadão de São José dos Pinhais, nem tu, pacato munícipe de Colombo, a besta baterá vôo no degrau de tuas portas. Até aqui o juízo de Curitiba.

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Dalton Trevisan

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Grande angular para a Zap (*)

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as cidades do ocidente
nas planícies
na beira mar
do lado dos rios
fera abatidas a tiro
durante a noite

de dia
um motor mantém todas
vivas e acesas LUCRO

à noite
fantasmas das coisas não ditas
sombras das coisas não feitas
vêm
pé ante pé
mexer em seus sonhos

as cidades do ocidente
gritam
gritam
demônios loucos
por toda a madrugada

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Paulo Leminski

(1944-1989)

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(*)Homenagem ao fotógrafo Márcio Santos, proprietário da Zap Fotografias, amigo do poeta.

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Decifra-me

faz horas
que não ando
na Rua Quinze
faz horas
que não vejo
mais a cidade
essa necessidade
de quem finge
que as ruas
são esfinges

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Luís Antônio Solda

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Pompéia, São Paulo

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o campinho com a trave debaixo do arranha céu
do lado do clube
toupeiras artilheiras
formigas de barreira
placar no minhocão
cinco passos pra dentro do vulcão

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José Alberto Trindade

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120 minutos em Curitiba

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espero que amanheça, não pelo sol, mas pelo ônibus
a cidade está atenta caso eu durma na praça
pra roubar minha jaqueta bota cigarro e o vale-transporte

quero que amanheça, não para acordar, mas para dormir
o primeiro ônibus passa às seis e são quatro
escrever para ficar acordado, única alternativa

peço que amanheça, não pela manhã, mas pela noite
que eu passei bebendo e esperando o primeiro ônibus
e me fez escrever até agora que ele está chegando

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Marcos Prado

(1961-1996)

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•22/11/2009 • Deixe um comentário

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Eu e mais ninguém

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Madrugada. Ninguém na rua. Só eu,
Pensando em versos, caminho em paz.
O céu está limpo. Como um camafeu
Preso, a Máquina Pneumática jaz.
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Ter constelações e não ser capaz
De amar, de lembrar o que se perdeu
E infinitamente querer mais
Do que a emoção que essa noite me deu.
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Ser poeta, equívoco da criação,
Caminhar à noite como um zumbi,
Sozinho ser mais que uma multidão.
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Ah! uma dor assim eu nunca vi…
Dói e essa lágrima que vem de fora
É toda a beleza que garoa agora!

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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•19/11/2009 • Deixe um comentário

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VALE A PENA LER DE NOVO

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Meus amigos, hoje amanheci com saudades dos bons tempos em que eu escrevia uma coluna semanal aqui no blog, minto,  no polacodabarreirinha.blogspot.com com o pseudônimo de Dalton Machado Rodrigues. Entre tantas, a que segue abaixo, escrita em outubro de 2008, me deu profundas alegrias.  E até hoje me diverte, portanto, divirtam-se.

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Polaco da Barreirinha

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Bola Perdida

“Antes de começar a criticar os defeitos dos outros,
enumera ao menos dez dos teus.”

“Se dedicamos nosso tempo em criticar nossos semelhantes,
não teremos tempo para amá-los.”

Meus amabilíssimos leitores, foi uma alegria imensa receber tantas expressões de carinho, via e-mail e comments, por minha coluna aqui no Polaco da Barreirinha. Um recorde absoluto. E justamente em um dia que resolvi sacaneá-los dobrando o tamanho do texto, que chegou a quase 3000 palavras. Mas parece que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro, pois a grande maioria gostou e leu como se lesse um haicai ou um outdoor. Não foram poucos os que saíram gritando “MAIS! MAIS! MAIS!”. Como se eu fosse uma máquina de fazer textos.
Mas isso não tem importância.

O que queria mesmo lhes dizer é que não mereço tanta consideração nem tantos elogios. Sou um pobre escriba, que já sofreu as mais cavas humilhações e, confesso, tenho uma dificuldade quase desumana para lidar com afagos e adjetivações hiperbólicas sobre minha paupérrima pessoa e minha tão escassa obra. Já contei a vocês que sou vítima do descontrole monetário e sofro, desde a mais tenra idade, implacável perseguição de ótimos cobradores. E tudo começou, vocês sabem, quando, aos seis anos, comprei fiado um doce de leite no armazém do seu Boleslau. Minto, não era um doce de leite e, sim, uma doce e cândida maria-mole. De lá pra cá, minha vida tem sido um eterno inventar as desculpas mais esfarrapadas, um contar interminável de histórias onde já devo ter enterrado todos os meus amigos e parentes uma 7 vezes pelo menos cada um. O fato é que meus compreensivos credores se tornaram meus fãs e alguns deles me ligam mais de uma vez por dia só para ouvir meus malabarismos ficcionais. Creio até que viver neste frenesi postergativo trouxe para minha obra algumas nuanças de estilo bem interessantes e, quiçá, com algum valor literário. Na verdade, meus solidaríssimos leitores, o mês é grande demais para um salário tão miseravelmente pequeno como o meu. Mas isso não tem importância.

OS FALACIANOS BAZOFISTAS PILHERIAM-ME POR CONTA DE MINHAS EPIZEUXES.

- Credo em cruz! Sai, coisa ruim! Que enrolação! Toda sexta é a mesma coisa. Será possível, meu deus!? Você não se enxerga, ô boca de burro. Ninguém está interessado em saber de tua vida ou de tuas lamentações. Você é pago pra escrever sobre futebol, merda, só isso. E te pagam até bem demais pra fazer o que você não faz, vigarista do caralho. Vai cagar no mato, seu troço de bosta! Você, Dalton, é simplesmente ridículo! Zurra à minha direita, o Geraldo, esse ser úmido, disforme e lamentável que tantas vezes tentei, sem sucesso, descrever para vocês. O Geraldo, para ser sincero, não se enquadra muito bem nos padrões da raça humana, a sua compleição semi-símia, se mostrada ao mundo, causaria enorme furor, pois seria um inédito desafio para cientistas mais atentos. Mas isso não tem importância.

- Se não tem então por que fala, ô idiota consumado? Puta que pariu, o cara é um chato de galocha. Feche esse bebedor de lavagem! Você não passa de um ignorante completo, Dalton, de carteirinha. É tudo sempre igual, uma repetição non sense de expressões pobres e sempre acompanhadas do mesmo terninho e a gravatinha do vovô, né, escribinha? Ahahahaha…

- Ahahahahahahah! E o colarinho da camisa então, mais ensebado que pau de gincana.

- Ahahahah…o problema é que se ele lavar, Geraldo, cai o colarinho. Ahahahah….Pilheria-me o nosso office old enquanto baba e espreme uma espinha enorme deixando um rastro de saliva, pus e sebo no indefeso espelhinho rosa. Em seus 22 anos de vida, Ribamar, tem como hobby e grande alegria juntar-se ao Geraldo para tripudiar sobre minha paciência neo-zenbudista-taoísta, quase canina. Mas isso não tem importância.

- Então não fale, desgraçado! Dizem em uníssono e, rindo e de braços dados, saem para fumar. Acompanho-os com os olhos lassos até desaparecem pela velha porta entreaberta. Esta redação se não for a casa da Mãe Joana é, com certeza, um terminal de embarque para o inferno. Explico melhor: é uma sala enorme e mal iluminada, quase oval, a atmosfera em seu interior é contraditória, difusa, onírica, inexata. Os seres ilusórios que se movimentam pra lá e pra cá dentro dela são exageradamente estranhos, marcados por equívocos ancestrais. Em quase todos há um olhar não dormido, expressões faciais surreais, pernas que parecem não ter para onde ir, braços pensos, quase asas. Passam uns pelos outros e acontecem diálogos diáfanos, inefáveis, como se o tempo e o espaço fossem ficção de algum escritor sob efeito de drogas estupefacientes. Mas isso não tem importância.

EXCUSEZ DU PEU!

O que não posso deixar de lhes dizer, meus honorabilíssimos leitores, é que não posso e não devo me achar demais, pois tudo o que é demais sobra, tudo o que sobra é resto e tudo o que é resto vai para o lixo. Certo? Certíssimo! O grande mal de quase toda a humanidade é que damos uma estúpida preferência a sermos arruinados pelo elogio em vez de sermos salvos pela crítica. Claro que me refiro à boa crítica, àquela que vem de uma pessoa disposta a nos ajudar e que por isso mesmo tem todo o direito de nos criticar. Muitos têm comentado que critico demais políticos, canalhas e ignorantes. Nem tanto, nem tanto. Menos, menos, eu diria até. Vejam vocês que uma de minhas frases – “Não roube! O Governo não gosta de concorrência.” – já corre à boca pequena por todos os cantos do Brasil. Me parece, então, que eu disse uma verdade e, até mesmo posso dizer, uma grande verdade. Pois o povo a adotou com a mais cínica e deslavada devoção. Vejam que a voz do povo é a voz de Deus e o povo já está dizendo até que o contribuinte é o único cidadão que trabalha para o governo brasileiro sem ter de prestar concurso ou entrar em concorrência. E isso não é pouquinha coisa. É mais uma crítica. E temos todo o direito de fazê-la. Direito sagrado. Bem, na verdade, se a crítica não fosse uma coisa natural a gente não nascia chorando. No entanto, é de bom tom não levar a vida tão a sério, afinal, ninguém vai sair vivo dessa. Mas isso não tem importância.

O VAMPIRO ADORA MORCEGAR LÁ EM CASA.

O Trevisan chegou bem tarde na terça-feira, lá em casa, e, faminto, despejou sua fúria dental sobre minha travessa de broinhas de fubá mimoso, e, sedento, despejou goela abaixo meia dúzia de belas talagadas do meu litro de licor de ovos, e, satisfeito, despejou sobre mim e minhas adjacências pequenos farelos que distribuiu em meio às suas palavras:

- Tô vindo do Hospital.

- E?

- Nem uma palavra!

- Tá foda, hein?

- O teu tio é mais convicto do que padre que casa com mulher desquitada.

- A culpa é do Dunga.

- Sabe de uma coisa, cara? Pra puxar conversa, eu comecei a lhe contar como é que foi o Atletiba e o Torcedor começou a se contorcer todo e a ficar roxo. Parei na horinha, antes que eles sentasse que rosqueasse. Pensei que teu tio ia ter mais um ataque. É mole? Saí correndo.

- Bom, Trevisan, veja que além de não estarmos mais no topo do ranking da FIFA, já estamos perdendo decisões, em casa, até para a LDU. Imagine se o Torcedor estivesse vendo. Coitado do velho. Mas me diga você passou no terreiro do Pai Véio Chico Fantasma pra pegar a mensagem do Machado de Assis?

- Não, foi tua mãe que saiu da zona , para ir lá pegar. Claro, né, Dalton! Estranhei a cor preta do envelope. Credo, parece despacho! E o Véio Chico disse pra você abrir exatamente à meia noite de hoje, se não vai dar nhaca.

- Eu acho que é porque…O vampiro, temeroso, saiu sem que eu percebesse, me deixando a sós com o envelope e minhas palavras. Vou para a varanda me sirvo do que sobrou de broinhas e pego mais um litro de licor para, papando e bebericando, esperar a hora que apavora. São 23h20, vejo estrelas a granel tomando conta do céu e mostrando a arquitetura milenar de cada signo. Aqui Capricórnio, ali Touro, lá Escorpião, etc… e me faltam dois dedos para fechar a conta. Uma estrela cadente passa como um raio e se esborracha na atmosfera, até não lhe restar matéria alguma para continuar sua jornada luminosa. Tudo me espanta. A solidão silenciosa dos mundos astronômicos e seus bombardeios kamikazes incessantes…a jornada enigmática dos cometas em suas órbitas gigantescas…quasares, pulsares, buracos negros, buracos brancos, nebulosas, galáxias em formação, mundos que, em crítica severa ao criador, se rebelam e buscam novas formações, novos sóis, novos planetas, outros sonhares. Estou a ponto de quase começar a delirar, quando, no relógio, soa a primeira baladada, soa outra mais, mais outra…enfim as doze badaladas soam e abro o negro envelope com a mensagem mediúnica. Com a mão trêmula, retiro a folha cinza-chumbo onde, em elegantes letras garrafais, Machado escreveu pela mão do Chico Fantasma. Leio e o que leio não me perguntem. E nem queiram saber, meus curiosíssimos leitores. A verdade, quando é jogada na nossa cara, crua e nua, sempre provoca tsunamis colossais em nossa alma endividada. Mas isso não tem importância.

MACACO, OLHA PRO TEU RABO!

O que eu quero mesmo lhes dizer é que o Roberto Prado ( o Béco) me ligou na segunda às 4h30 da madrugada e soltava ácido sulfúrico pelas axilas. Furibundo, trovejou em meus ouvidos:

- Para todos os ofícios, exceto o de censor, é indispensável um longo aprendizado e uma extensa prática; os críticos acham que nasceram feitos, porque, em sua rasa profundidade, em vez de discutirem idéias, xingam ou tecem elogios ao autor e não à obra. E isso é típico das pessoas mesquinhas e ignorantes.

- Pra que essa conversa agora de madrugada, Beco?

- Porque no jornalismo a crítica tem como função comentar sobre determinado tema ou fato ou obra, geralmente das esferas artísticas, culturais, políticas ou esportivas, com o propósito de informar, elucidar, apresentar novas perspectivas e, claro, avaliar.

Com a alma aos solavancos pelas cavas humilhações passadas, arrisco: - “A que realmente você se refere, Beco?”

- Aos nossos jornais que foram unânimes em dizer que o Atletiba foi um joquinho, uma pelada sem emoções.

Suspiro mais avaliado que mãe quando busca resultado de exame de gravidez e descobre que a filha solteira mais nova está apenas com a menstruação atrasada. E, alegrinho, me assanho: -”Bem, Beco, eu acho que…” O desgracido bate o telefone nas minhas fuças e me deixa a pensar com meus botões de futebol de mesa. Realmente, nossos jornais estão longe, muito longe, de seus verdadeiros papéis. Cronistas despreparados, colunistas tendenciosos, analistas superficiais, jornalistas semi-analfabetos sem a mínima noção do que venha a ser um texto de verdade. O que vemos por aí são matérias quase que 100% descartáveis. Sem acabamento, sem nuanças, sem inteligência, sem graça, sem porra nenhuma que justifique o papel e a tinta que estão sendo gastos. Mas isso não tem importância, meus expertíssimos leitores.

O NELSON RODRIGUES É UMA BESTA! UMA BESTA!

O que eu queria mesmo lhes dizer e digo-o agora é que o nosso mais renomado dramaturgo, o Nelson Rodrigues, além de ser um dos escritores mais populares do Brasil e um dos cronistas esportivos mais lidos, admirados e copiados de todos os tempos, foi também o mais perseguido, odiado, difamado e caluniado. Vítima de uma crítica caolha e sistemática, Nelson foi perseguido pela esquerda, de tendências comunistas, e incompreendido pela direita, de tendências fascistas. Humilhado por uma fome migratória que o acompanhou de Pernambuco ao Rio de Janeiro, da infância à idade madura, o autor das deliciosíssimas crônicas esportivas, compiladas em duas obras primas do gênero A PÁTRIA EM CHUTEIRAS e À SOMBRA DAS CHUTEIRAS IMORTAIS, certa feita me disse, em tom mais festivo que a Nona Sinfonia de Beethoven quando incorpora parte do poema AN DIE FREUDE (À ALEGRIA), de Friedrich Schiller: -”Sou uma besta, Dalton. Uma besta!”

Lembro-me bem, era num infernal dezembro e os termômetros teimavam em subir, subir, subir, inaugurando temperaturas nunca antes atingidas. Descemos até Copacabana e a leve brisa, a maré calma com suas ondas regulares e precisas, a lua quase cheia chegaram ao nosso espírito com um frescor mentolado e convidativo à exaltação do que tínhamos de mais sagrado dentro de nós mesmos. Nelson, com as mãos à feição de conchas, mergulhou-as no mar e, como se estapeasse, espalhou pelo rosto suado a água fresca e generosa. Enxugando-se com um lenço branco e bem passado, explicou-me a sua manifestação de poucos minutos antes:

- Dalton, quero te contar o caso do Ministro que foi, pela primeira vez, à televisão. A família tremeu em cima dos sapatos. E não sei se a própria mulher, uma tia, ou uma cunhada, deu a sugestão espavorida: – “Toma banho! Toma banho!” E porque não lhe ocorrera a idéia do banho, o Ministro julgou-se um vencido. Imediatamente, a esposa se arremessou. Podia ser banho de chuveiro. Mas, como ele ia falar na TV, a santa senhora achou que devia ser banho de imersão. Encheu a banheira. Temperou a água. E o banho ministerial foi digno de Paulina Bonaparte. Do lado de fora, a mulher comandava: – “Esfrega bem! Esfrega bem!” Uma tia cochichou: – “Debaixo do braço!” E a mulher gritando: “Debaixo do braço, ouviu?” Súbito, alguém veio dizer à esposa: -”Homem não sabe tomar banho. Não se limpa direito.” Vozes a instigavam: “Vai lá, vai lá!” E ela foi. Quando S. Excia. saiu, era o membro mais limpo do Governo.

O Ministro entrou na estação em ânsias, palpitações sufocantes. Não acreditava em nada, era um ateu nato e hereditário. Todavia, na hora de ir para o ar, vira-se para a mulher: – “Reze por mim! Reze por mim!” E, com uma dispnéia pré-agônica, encaminhou-se para o abismo. Sim, a televisão era, para o Ministro, um abismo voraz e inédito. Na frente das câmeras e dos microfones, deixou de ser o Poder, o Governo, a Autoridade. Era o contínuo de si mesmo. Houve um momento em que, em pleno ar, teve sede. Mas parte da água voltava como uma baba sobre seu queixo trêmulo..

Mas, Dalton, eu já nem sei por que é que estou lhe contando tudo isso. Ah, já sei. Eu queria lhe demonstrar o óbvio, isto é, que a televisão fascina qualquer um. O sujeito pode ser rei, ou rainha, ou anjo, ou santo. Mas atravessa três desertos para entrar no programa do Chacrinha, da Hebe ou do Fantástico. Cabe então a pergunta: – E por que todo esse deslumbramento? Vamos lá. Primeiro, porque, normalmente, cada um de nós é um ator sem platéia. Representamos, no máximo, para uma namorada, para meia dúzia de familiares, meia dúzia de vizinhos, meia dúzia de credores. E o sujeito que entra no Fantástico sai de lá célebre. Aparece para milhões. E essa celebridade fulminante é a maior delícia terrena para alguns. E quem fala para tantos pode, com uma única frase, fundar uma religião, com outra, derrubar um império, com uma terceira frase, decapitar várias marias antonietas. De mais a mais, a simples imagem no vídeo nos confere uma nova dimensão. Pois não há idiotas no vídeo. Agora, Dalton, eu te pergunto: – “Já imaginou você receber uma severa crítica no ar? Com milhões de bispos de torquemadas, de archote aceso na mão, prontos para uma nova inquisição, assistindo? Imagine sua cara diante da ousadia do apresentador, todo o seu ego se levantando com a fúria de mil furacões, e você, ali, Ministro, frente às câmeras, com aquela cara de tarado mas falando como uma mocinha, com trejeitos de mocinha, com voz de mocinha, mais manso que cachorro capado, para não desfeitear o Governo. Mas vamos esquecer o Ministro e pensar em nós mesmos, Dalton. Na verdade, a vaidade é a palavra que explica tudo. O que nos induz à televisão, à passeata, ao ato público é, digamos assim, uma vaidade de leitão assado. Se você não entendeu a metáfora, tentarei justificá-la. Imagine então um salão imenso. Banquete. Quinhentas pessoas sentadas, entre casacas e decotes. E, lá no fundo, um garçom traz na bandeja um leitão. Levado na bandeja, em desfile, o leitão há de sentir uma vaidade total. Uma cínica e deslavada vaidade. Assim também o artista, o literato, o cineasta, o ministro ou o padre de passeata. O sujeito parece desfilar triunfalmente, numa bandeja imaginária, e de maçã na boca como o leitão assado. Eu, na televisão, sou uma besta! Uma besta!”

Disse e saiu caminhando pela praia sem nem ao menos se despedir. Mas isso não tem importância.

MAIS DE 22 MIL OLHOS PRONTOS PARA JULGAR!

O que queria mesmo lhes dizer é que o campeonato brasileiro é por pontos corridos e vai que é um upa. O Atletiba, conforme eu e mais toda a população de Curitiba prevíramos, teve todos os ingredientes de um grande espetáculo. Uma ópera no teatro de Milão não teria maiores rigores e nem provocaria maior frenesi. O Atlético saiu disposto a varrer o Coritiba da face da Terra, literalmente. O furacão , de espora e penacho, como os Dragões da Independência, durante os primeiros 45, minto, 47 minutos, fustigou a meta do Edson Bastos que, heroicamente, impediu uma nova queda da bastilha. Apesar desse ímpeto todo, a melhor chance foi do Coritiba. Com Michael, aos 18, quando ficou sozinho diante do Gallato, goleiro do Atlético, e em vez de chutar que nem homem ou passar para o Cadu que entrava livre pela direita, se borrou todo, deu um chutinho tão fraco, mas tão fraco, que até a bola ficou em dúvida se ficava parada ou ia um pouquinho mais pra frente. Os jogadores em campo, na verdade, se respeitaram mais que estivadores pelados em sauna úmida. A torcida atleticana vibrava e achincalhava a do coxa que, apesar de estar em menor número, berrava com gargantas de derrubar muralhas de Jericó e devolvia, em alto e bom tom, as gentilezas que recebia. No campo, a luta era da boa mesmo, aquela da lata, cada jogador parecia um dos trezentos de Esparta. Cada centímetro de gramado era vigiado, policiado, como se fosse um valioso latifúndio. A menor falha de qualquer jogador era recebida nas arquibancadas como um insulto e. imediatamente, era criticada com inflamados palavrões inomináveis. Mas voltemos ao início do segundo tempo.

SOBRENATURAL DE ALMEIDA
E DETALHE ENTRAM EM CAMPO.

O Coritiba, aliás, como já é de costume, entrou em campo no segundo tempo com o coração no bico da chuteiras. Babando e soltando fogo pelas ventas, foi para cima do Atlético que nem louco. Uma doideira que deixou em pânico, total e absoluto, a torcida atleticana que em diversas ocasiões chegou a gemer de dor nas mãos de tanto aplaudir as belíssimas defesas do goleiro Gallato, herói do jogo. Não foram raras as vezes que a torcida coxa parecia estar só, no Joaquim Américo. E, convenhamos, torceu como nunca. A primeira e a segunda grandes emoções foram gols anulados, um de Michael e outro de Marcelo Ramos, os dois legitimamente invalidados por impedimento. Mas foi aos 30 minutos que o Além baixou no terreiro da baixada decidido a mudar os acontecimentos. Marlos, que mal acabara de entrar, sai driblando como um Garrincha em dia de Copa do Mundo de 62 e é atropelado, com certa violência, pelo Valencia, que foi justamente expulso pelo Paulo César de Oliveira, árbitro da partida. Silêncio na torcida atleticana, se algum desavisado passasse por ali acharia que estavam todos mortos, pois, além da mudez, a palidez tomou conta das fanáticas feições. Do outro lado, aconteceu exatamente o contrário, a torcida que nunca abandona foi ao delírio, se algum desavisado passasse por ali acharia que estavam todos bêbados. Mas alegria de pobre dura pouco e, 4 minutos depois, uma bela jogada de Nei, que recebe passe de calcanhar, é premiada com a marcação de um pênalti para o Atlético. Maurício é expulso, a alegria muda de lado.. Gol de Alan Bahia, delírio atleticano. Mas alegria de pobre, repito, dura pouco, muito pouco. 5 minutos pra ser exato. Cruzamento, Cadu cabeceia em direção ao gol e Marcos Tamandaré sai de dentro da trave, pelo menos pareceu, e, não se sabe como, pois não tinha ângulo, mete a bola na rede. Festa alviverde. 2.300 torcedores, mais o Maringas, que vale por uns 10, pulando, berrando, no alto da glória, em plena baixada. E 20.000 atleticanos atônitos, se olhando, como se o mundo tivesse acabado de acabar e todos estivessem diante dos 4 cavaleiros do apocalipse. Mas isso não tem importância.

O Paraná perdeu e ganhou. Perdeu para o América em Natal, lanterna do campeonato e ganhou maravilhosamente do Criciúma, no estádio Heriberto Hulse, por 3×0 e com todos os méritos. De quebra ainda saiu da zona de rebaixamento e pulou para a 13ª colocação. Na terça, em rodada completa da série B, pega o bom time do Vila Nova na Vila Capanema. Uma chance de ouro para derrotar o sexto colocado e, dependendo de outros resultados, roubar-lhe a posição.

O Atlético, sábado, tem barra pesada em casa contra o Santos que, apesar de estar na zona de rebaixamento, não é de se matar com a unha. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. O time atleticano vai ter que jogar tudo que sabe e mais um pouco para vencer. O técnico santista fez pacto de vitória com os jogadores. O Roberto Fernandes que use a cabeça contra o Cuca. No Beira-Rio, domingo, o Coritiba tem outra parada daquelas diante do Internacional. K9, ao que tudo indica, volta, mas não deve estar no melhor de sua forma. Paciência é tudo que o Keirrison precisa agora. Dorival precisa escalar certo e o time começar a jogar desde o primeiro tempo. Se der moleza pro Inter, 45 minutos bastam para ser goleado. Sem Jéci, a nova defesa vai ter que se virar mais que minhoca em asfalto pelando. Mas isso não tem importância.


A MENSAGEM DO ALÉM.

Meus pacientíssimos leitores, eu lhes dizia que, quando soou a última badalada da hora que apavora, abri o envelope e dei de cara com as palavras de Machado de Assis. Uma pérola: “Dalton, tanto no jogo quanto no sexo, ou você tem um bom parceiro ou tem uma boa mão. Lembre-se disso, sempre. Com amor. Ass. Machado de Assis.” Dou a mão à palmatória, Machado como sempre está certo, mas a irreverência de sua tirada espirituosa me tira do sério. Pego meu licor de ovos e uma travessa de broinhas de fubá mimoso e vou para a varanda novamente. O céu agora é de um azul escuro enorme, estrelas pipocam aqui e ali, e digo pra mim mesmo: – “Tudo perfeito, tudo divinamente perfeito!” Uma estrela, dessas que parecem ouvir o coração da gente, piscou pra mim, como se dissesse “nem tanto, nem tanto”. Atravessado de luz como santo de vitral, sento na minha confortável poltrona para beliscar, beber e ler, completamente encantado, os versos do livro O ENCANTADOR DE SERPENTES, do meu amigo Solivan Brugnara.

Poupem-me de todas as críticas, porque essa noite
vai durar por toda a eternidade.

Dalton Machado Rodrigues

daltonmrodrigues@gmail.com

Próximo post

•18/11/2009 • Deixe um comentário

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Amigo

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Tudo bem contigo? Estou lançando um novo Livro Em um Mapa em cachorros (podes ler a apresentação no blog www.beira-do-caminho.blogspot.com). Se quiseres comprar o livro, manda bala neste endereço: julioalmada@gmail.com.

O valor é R$ 20,00 com a entrega.

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Um grande Abraço

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Julio Almada

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Peça já!

www.julioalmada.net

www.bloguerocoisanenhuma.blogspot.com

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•18/11/2009 • 2 Comentários

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colibrilhos & colibreus

ao r. ponts

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é isso, amigo ponts,

estamos bem pior

você sabia decor

a ausência de horizontes

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curitiba naufraga

e segue à deriva

foi-se a alma coletiva

e nada mais nos salva

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se falam em cultura

têm à mão o revólver

a imprensa com seus bofes

não tem assinatura

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mente, engana, finge

sem saber escrever

os textos são de doer

não há enigma na esfinge

.

usar bem nossa língua

já é pedir demais

vamos deixá-la em paz

há de morrer à míngua

.

mas ontem li o seu livro

que estilo, hein, garoto!?

o artista estava pronto

o gênio mais que vivo

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não saiu nada na imprensa?

ah saiu? hora e local?

mas que sensacional

essa burrice imensa!

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melhor que não escreva

nada sairia de bom

seu livro é bourbon

quem o entenda que o beba

.

não vê-lo em carne e osso

e apertar sua carcaça

doeu, mas isso passa

já aconteceu conosco

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descanse então em paz

na eternidade salta

sua obra em alta e a falta

que você tanto faz

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Polaco da Barreirinha

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•18/11/2009 • Deixe um comentário

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Deus é grande mas não é dois?

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com essas asas

um dia ainda vou subir

é só ajoelhar

rezar

e pedir

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Que poeta já não entrou com os dois pés no peito desse assunto? Muito antes da física das micro-partículas e da Teoria do Caos, os bardos já intuíam a extrema desordem do mundo, em ordem. Um buraco negro no raciocínio mais elementar atraindo o que mesmo?

Bons tempos aqueles em que nos bastava um velhinho de bata, barbas brancas e um triângulo sobre a cabeça, com forma e emoções humanas. Mas, hoje, como bem disse Marcos Prado, já sabemos que a Terra não é o centro das atenções do universo. Portanto, que Deus nos ajude!

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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deus algum

indu

ogum

vishnu

precisa

de tua prece

.

tua pressa

pessoa

só teu pulso acelera

.

você padece

padecer te resta

tudo um belo dia desaparece

.

Paulo Leminski

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olho d’água

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você vê Deus

você chora

é pela beleza

que entra em si

ou pela lágrima

que evapora?

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Roberto Prado

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deus é justo

mas não é apertado

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Solda

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Ubigüidade

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Estás em tudo que penso,

Estás em quanto imagino:

Estás no horizonte imenso,

Estás no grão pequenino.

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Estás na ovelha que pasce,

Estás no rio que corre:

Estás em tudo que nasce,

Estás em tudo que morre.

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Em tudo estás, nem repousas,

Ó ser tão mesmo e diverso!

(Eras no início das cousas

Serás no fim do universo.)

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Estás na alma e nos sentidos.

Estás no espírito, estás

Na letra, e, os tempos cumpridos,

No céu, no céu estarás.

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Manuel Bandeira

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todos os lugares a deus

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a idéia que eu tenho de deus é abstrata

toco no assunto sem saber do que se trata

é difícil ser sem querer o que se quer ser

é besteira ter que querer ser o que se tem que ser

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deus me livre e guarde da galhofa terráquea

apela para a ignorância o ser de alma macaca

não ao sim que tem em si o tom do não

sim só ao som com o dom do bem e do bom

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Marcos Prado

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Por Um Deus Ateu

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se Deus existe mesmo

eu sou a rainha da Inglaterra

como pode querer ser supremo

um Cara que tanto erra

e parece nem estar aí?

até o céu devia ter um limite

se um Deus tem que existir

então voto em Nietzsche:

que Deus passe a ser pecador

que o malfeitor possa ser justo

o homem Seu redentor

e o juiz seu próprio verdugo.

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Sérgio Viralobos

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Deu Deus

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“Deus é uma vitória do Ego sobre a realidade.”

( Sigmund Freud )

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Se fôssemos medir o custo-benefício

de ir à igreja num domingo de manhã

não sobrava nem o padre pra Cristo.

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Por que todo fiel tem cara de tantã?

Maria engravidou da forma mais difícil,

nem porisso deixei de ser seu fã.

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Só um judeu falou-O e disse-O,

Ó Senhor de Maomé, Ogum, Jeová e Tupã,

Teus nomes se espalharam como um vício.

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Pessoa que tem juízo não morre pagã ?

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

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Bilhete azul

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Buda nunca deu mole

embora você rebole

que Deus te perdoe

não é questão de vingança

mas entrar na dança

é ser miolo mole

quem não planta não colhe

quem não ama não olhe

a felicidade dos outros faz mal

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Walmor Goes

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Soneto


A meu pai doente

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Para onde fores, pai, para onde fores,

Irei também, trilhando as mesmas ruas…

Tu, para amenizar as dores tuas,

Eu, para amenizar as minhas dores!

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Que coisa triste! O campo tão sem flores,

E eu tão sem crença e as árvores tão nuas

E tu, gemendo, e o horror de nossas duas

Mágoas crescendo e se fazendo horrores!

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Magoaram-te, mais Pai?! Que mão sombria,

Indiferente aos mil tormentos teus

De assim magoar-te sem pesar havia?!

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- Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim

É bom, é justo, e sendo justo, Deus,

Deus não havia de magoar-te assim!

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Augusto dos Anjos

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Na oração que desaterra… aterra

Quer Deus que a quem está o cuidado…dado

Pregue que a vida é emprestado…estado

Mistérios mil que desenterra…enterra

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Quem não cuida de si, que é terra….erra

Que o Alto Rei, por afamado…amado

E quem lhe assiste o desvelado…lado

Da morte ao ar não desaferra…aferra

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Quem do mundo a mortal loucura…cura

A vontade de Deus sagrada…agrada

Firmar-lhe a vida em atadura…dura

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Ó, voz zelosa, que dobrada…brada

Já sei que da formosura…usura

Será no fim dessa jornada…nada

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Gregório de Matos

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sim, havia um deus

ao meu lado

e era surdo

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e eu ajoelhado

querendo lhe dizer tudo

mas fiquei completamente mudo

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thadeu w

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•16/11/2009 • Deixe um comentário
BRASIL
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BRASIL ADENTRO
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Saio do trabalho distraido
Pisando no pé de um pedinte
Esgotos a céu aberto
Me acompanham pelas ruas
Um cheiro de desinfetante
Misturado com rato morto
Esquenta ainda mais o calor
Um bêbado gosta da minha gravata
E me chama de pastor
Mais duas quadras e chego em casa
Pra alegria das baratas
Hoje sou eu que persigo o brasil
Posso dizer que somos íntimos
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•16/11/2009 • 1 Comentário

barbarismo

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Aniversário do blog da Bárbara. Parabéns, queridona do meu coração.

Clic aqui.

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•14/11/2009 • Deixe um comentário

logovfcp

Domingo!

Dia 15 no Menina da Colina

Início às 15 h e encerramento 21 h

Rua Nilo Peçanha, 3625

(próximo à Opera de Arame)

Entrada: R$ 7,00

•13/11/2009 • Deixe um comentário

Rodrigo-Pontoglio.

O Rodrigo Ponts foi embora desta pra melhor muito cedo. Mas tive o grande prazer de conviver com ele alguns belos momentos. Gosto de oferecer, a quem merece, as flores em vida. Foram muitas gargalhadas e, também, com o agravamento da doença dele e consequente morte, muitas lágrimas. Esse lançamento tem um grande significado para mim, conto com a presença de todos os amigos.

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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•11/11/2009 • 4 Comentários

thadeu_buda.0

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Saboro Nossuco e seu inseparável cigarrinho.

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- Mestre, por que fumas, se sabes que o cigarro vai te matar?

- Quando?

- Morres um pouco toda vez que fumas.

- Não diga!!

- Estou falando a verdade, mestre.

- Então já estou morto e não sabia.

- Estás brincando com coisa séria.

- Provavelmente.

- E não te sentes mal fazendo isso?

- Quem poderá dizer?

- Tu, ora bolas!!!

- Por que logo eu?

- Porque já estás acendendo outro.

- Não percebi.

- Ou estás louco ou és um ignorante de marca maior.

- Prefiro ser como eu sou.

- E como és?

- Bem do jeito que tu não estás vendo.

- Mas o que eu não vejo fuma e isso faz mal, mestre!

- Estás vendo? Bem que te avisei!

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Saboro Nossuco

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Ei, você, aí, me dá um cigarro aí.

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“Escarrar de um abismo em outro abismo
mandando ao céu o fumo de um cigarro,
há mais filosofia neste escarro
do que em toda moral do cristianismo.”
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Augusto dos Anjos

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Se tem uma indústria que tem um faturamento de morte é a do cigarro. Com ou sem filtro, com as mais diversas graduações de alcatrão e nicotina, o cigarro já fez muito neguinho, branquinho, amarelinho e vermelhinho virar fumaça. Eu já me sinto bem mais leve, mas ainda estou quase vivo. Pelo menos, acredito que sim.

Tenho um cunhado, um dos melhores pneumologistas do Brasil, o
Dr. Jairo Sponholz, que só falta me dar tiros quando me vê com um cigarro na mão. Bem, convenhamos, morrer, neste caso, seria bem mais rápido.
Dizem que o cigarro mata lentamente, mas alguém aí está com pressa? Um compositor que não lembro o nome no momento, cantava: “quem não fuma quem não bebe que alegria pode ter?”. Morreu já faz algum tempo, mas a causa mortis foi frieira no dedão do pé esquerdo.
O Leminski e o Marcos Prado fumavam que nem dois condenados. Eu, o Roberto Prado, o Edílson, o Magoo, o Marcelo, comemos com farinha e baforamos como sapo índio. O Solda está noutra. Um dia, lá pelos anos 90, eu e o Sérgio Viralobos, que não fuma, fizemos as contas de quantos cigarros eu já havia fumado. O total girou em torno de 380.250 cigarros. De lá pra cá, perdi a conta. Mas do poema fiz música de carnaval, gravada pelo Maxixe Machine, no CD Folias de Momo.
Agora, falando sério, tem coisa melhor do que um cigarrinho depois de um café, junto com a cervejinha ou depois de um sexo animal? Pode até ter, mas ainda não cheguei lá. E acho que nem vou chegar porque devo morrer de câncer, enfisema, problemas circulatórios, envenenado como um rato, sem um pedaço da perna, sem dentes, careca ou, pior ainda, impotente. Ai ai ai, acho que amanhã mesmo começo a parar de fumar. O cigarro é uma tema freqüente em nossas músicas, aí vão algumas letras que causam tudo aquilo que está nas fotos nos maços de cigarro.

Ou mais.
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Antonio Thadeu Wojciechowski

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arvorada ou o admirável fumo novo
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plantei déis arquere
de fumo do bão
os pé cresceu
que nem os pé de feijão do joão

a roça ficou uma maravia
eu moiava de noite
eu oiava de dia

não pus espantaio
porque os passarinho
ficaram tudo nos gaio
admirando
admirando
admirando
admirando

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.Antonio Thadeu Wojciechowski, Édson de Vulcanis,

Edílson del Grossi e Ubiratan Oliveira

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bolero lero
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cada vez que tu me miras
com sus ojos sujos de baton
berrante terete
treamo mas

jo soy un borracho fumegante
à espera de una amante
caliente terete
treamo mas

neste cais que é a vida
companheiro de bar
não fique a ver navios
pois Curitiba não tem mar

não adianta se matar
e nem cortar o seu pescoço
todo galho ou enrosco
é deus que está conosco

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Luiz Antonio Ferreira,

Renato Quege, Rodrigo Barros e Walmor Goes
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diário de uma ninfeta prostituída
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desde o princípio da humanidade
os homens corrompem as menininhas
em troca de bebida, comida
e queimadura de cigarro

eles chegam em carros possantes
sapato branco reluzente
charutos jamaica, chapéu panamá
e champagnes espoucantes

os que vêm para os prazeres da carne
têm à mão um baby beef
uma garrafa de Arak
e uma carteira de free

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Alessandro Wojciechowski, Antonio Thadeu Wojciechowski,

Edson de Vulcanis e Marcos Prado

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eu não vou ter amigos aos 40
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meus amigos bebem demais
meus amigos fumam demais
meus amigos falam demais
meus amigos brigam demais
meus amigos morrem demais

do jeito que tudo vai
eu vou ficar
na cidade sem cachorro
bebendo sozinho
fumando sozinho
falando sozinho
brigando sozinho
morrendo sozinho

minha cabeça não agüenta
um por um indo pro saco
rezando prum deus babaco

eu chego sozinho aos 40


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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado
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fã de fandango
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ai que saudades tenho da baía de Paranaguá
na festa da tainha eu sempre estava lá
olhando aquela água verde até ficar azul
cego por cem sóis vermelhos me guiava o vento sul

tamancos batem no chão
fandango é a nossa canção
pinga de banana na cabeça
fumo caiçara na mão

estou adiantando as horas pra voltar pra lá
tem barco me esperando em Paranaguá
pisando na areia branca fica tudo azul
enfuna as velas do veleiro, me leva, vento sul

tamancos batem no chão
fandango é a nossa canção
pinga de banana na cabeça
fumo caiçara na mão

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Edílson Del Grossi,

Walmor Góes e Ubiratan Oliveira
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Levando fumo
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quando eu morrer não quero choro nem oração
quero pacotes de hollywood
pra levar muito fumo no caixão

serrei até estourar a caixa toráxica
o escarro e o pigarro eram a tática
pro meu pulmão não se esparramar pelo chão

cigarro de xepas do cinzeiro eu fi-lo
traguei paióva, bituca e matarrato a quilo
equivalo a um quarteirão de nicotina e alcatrão

já enrolei tabaco pra mais de metro
se enfizema fizesse rei, eu tinha coroa e cetro
recordista filão, quebro a marca do milhão

há tosse e sinais defumantes em meu corpinho
alvéolos, brônquios, pleuras, não passam de toucinho
baforo no caixão, resoluto, meu último charuto

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Rodrigo Barros
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nível de periculosidade
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quanto uma bactéria pode ser nociva?
esta mariposa por quanto tempo continuará viva?

o conhaque vai acabar
e isto me entristece um pouco
quanto tempo viverei neste bar
até estar morto?

70 cigarros por dia é mortal?
será que hoje é natal?

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Marcos Prado
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o cigarro está me matando de saudade
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anteontem no ano passado
meu dedo estava amarelado
preciso de um vício novo
bombom, caracu com ovo
bingo, corrida de cachorro louco

ai que saudades da minha querida nicotina
e do meu velho e bom arcatrão
e da porvinha do paperzinho que fazia
catarrinho, cosquinha no meu purmão

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Antonio Thadeu Wojciechowski, José Alberto Trindade,

Márcio Goedert e Rodrigo Barros

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samba do meu ranchão
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estava andando pela rua numa noite
quando meu mundo caiu
astros me pisavam distraídos
indiferente o chão fugiu de mim

se essa rua, se essa rua fosse minha
eu andava contramão
paralelepípedos uni-vos
pra eu voltar a ter os pés no chão

se você pensa que vai fazer de mim
o que faz com os carlões por aí
acorda, maria bonita, cachaça não é água não
já fumei mais de um maço e meio
pode vir firme que eu estou tremendo

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Antonio Thadeu Wojciechowski, José Alberto Trindade, Rodrigo Barros, Magoo, Walmor Góes e Ubiratan Oliveira

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sete palmos abaixo da terra de marlboro
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380.250 cigarros depois
resolvi tomar uma atitude
nada de entregar pulmão para ciência
só há um jeito de ir atrás do prejuízo

apresentar os meus raio-x
para uma junta de advogados
agora quero 5 milhões e mais nada
vai ser um raro prazer queimar essa bufunfa
de dentro da tenda de oxigênio

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

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•11/11/2009 • Deixe um comentário

eu e ale

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Eu e meu filho Alessandro, no vale do Rio São Francisco em Pernambuco, domingo passado.

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ao primo gosto

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de deuses e seus mitos, esculpi minha alma,

nela incrustei palavras, flechas em meu próprio

calcanhar; a olho nu cobrei medusa e, próximo

de alcançar a glória, vi, do efeito à causa,

a trajetória vã da mortal ilusão,

que nem bem nasce e já se empedra pelo chão.

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viver em curitiba e não ter nenhum mar

dos sete que carregam as placas tectônicas

pra lá e pra cá, em fogos e explosões atômicas.

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morrer em curitiba, sentado no bar

à espera de uma rima inédita e, loquaz,

desafiar um deus: “desça, se for capaz!”

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ou nem isso ou aquilo, apenas ser do mundo

uma voz entre o céu e o abismo mais profundo

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Thadeu W

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•11/11/2009 • Deixe um comentário

edilson-ademir-clarah-e-tha

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Edílson, Clarah Averbuck e Thadeu, nem espaguês nem portunhol, o Ademir está escondido sussurrando versos em esperanto. Foto do Xunda.

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Eu, Marcos Prado, Edílson de Grossi, Edson de Vulcanis e Walmor Góes, lá pelos anos 80, passamos algumas noites muito divertidas, compondo em uma língua que misturava palavras em português e espanhol e até mesclando algumas, criando uma terceira, mas perfeitamente compreensível para quem fala português ou espanhol.

Creio que são umas 15 canções ou um pouco mais, não lembro de todas. Algumas foram gravadas no CD “Nosotros que Somos Nós Mismos”, pelo Carlos Careqa junto com o Maxixe Machine. Agora, nos dias 13 e 14 de novembro, no TEATRO PAIOL, eles vão dar continuidade a esse projeto iniciado em 2005, gravando e filmando uma nova safra de canções para disponibilizar na internet depois. Será um show cheio de graça e ficará melhor ainda se estivermos todos lá.

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Hasta la y que vuelvam los que jamás fueram!

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Polaco da Barreirinha

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MAXIXE_CAREQA_PAIOL_eflyer.

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•11/11/2009 • Deixe um comentário

rodolfoRodolfo by Albert Nane

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Caros amigos e amigas,

estou reativando o meu blog www.lampejos.wordpress.com.

Quando o criei, há alguns meses, meu objetivo era comentar, ainda que de modo passageiro e sem maiores pretensões, a poesia que está próxima de nós, que é nossa contemporânea. O objetivo é delinear – se persisto na idéia – algum cenário poético, dando ênfase aos poetas aqui da nossa terra.
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Abç,
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Rodolfo

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•03/11/2009 • 1 Comentário

beinde

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Inté logo mais.

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“Queria o que, melzinho na chupeta, amor?

Chupe o cu daquela abelha ali, por favor!”

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Como dizia o Barão de Itararé

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na vida tudo é passageiro

menos o motorista

e o cobrador

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e eu me sinto mais passageiro do nunca, ultimamente. Depois de rodar 3 estados e 14 cidades, lá vou eu de novo para mais uma volta ao mundo. Nem tanto, nem tanto, apenas uma viagem até Petrolina em Pernambuco, estado onde nasceu Nelson Rodrigues. Sei que vou ficar feliz só de pisar o chão onde nasceu este gênio, este grande poeta, um dos maiores do Brasil e do mundo. A dor por deixá-los já me aperta os calos, mas deixo estas pérolas abaixo que eu e o Roberto Prado desencavamos há quase uma década. Não deixem também de clicar nos links ao lado.

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Até a volta.

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Polaco da Barreirinha

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•03/11/2009 • 2 Comentários

dor

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Dor

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pelo som risal

indícios de melhoral

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( Thadeu W )

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Um homem com sapiência de outro mundo nos ensinou que 99% de nosso sofrimento é perder tempo e felicidade sofrendo de véspera, imaginando desgraceiras que jamais vão acontecer. Eis aí, com vocês, a dor: um aviso de que aquilo que hoje somos e fazemos ainda está entalado na garganta de Deus. Todos disfarçam como podem, mas sabem exatamente onde aperta o calo. No entanto insistimos em querer ficar só no sapatinho. Existe pior dor do que ver a dor do próximo e não saber fazer nada além de sentir muito? A individualidade de nossa dor vem de uma multidão de erros. Talvez seja por isso que viver dói. E como dói. Dor aguda, dor crônica, doendo até cansar. Mamãe e papai têm razão de dizer que certas dores não dóem nada: tombo, corte, queimadura, arranhão, pancada, entorse, quebradura, ui ui uis e outros ai ai ais. Mas você só vai entender depois, quando sente um sofrimento que não tem causa física visível. Dor pode se manifestar sozinha ou vir em manada, atropelando o infeliz. Afinal, dizem os antigos, em sua dolorida sabedoria, que a grande dor cai sempre sobre o sofredor maior. Tem alminha apenada que gosta de sofrer. A que sofre de “amor”, por exemplo, transforma o ego machucado em dor numerosa que, expandida ao infinito, ainda dói além. É a dor na qual o cérebro fala pelos cotovelos feridos. Dizem que os humanos do sexo masculino não sabem o que é a dor de verdade, a famosa dor do parto. Nascer dói? Por outro lado, dizem os espíritos, morrer não dói nada. Aqui, pra nós, tudo faz dodói. Tem sofredor radical que, diante de uma maravilha, morre de dor por saber que ela vai acabar. As mulheres que nos perdoem, mas o que mais dói, de verdade mesmo, nesta vida, ainda, é a nossa burrice. Portanto, doa a quem doer, vamos ter de aprender a ver com outros olhos a dor alheia. Alheia?

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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Esse incrível Leminski e sua dor maravilhosa

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um homem com uma dor

é muito mais elegante

caminha assim de lado

como se chagando atrasado

andasse mais adiante

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carrega o peso da dor

como se portasse medalhas

uma coroa um milhão de dólares

ou coisas que os valha

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ópios édens analgésicos

não me toquem nessa dor

ela é tudo que me sobra

sofrer, vai ser a minha última obra

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Paulo Leminski (1944-1989)

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Isso é dor

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para o pernilongo

também a noite é longa

longa e solitária

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Kobayashi Issa (1763-1827)

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Elegia sobre a morte de Gandhi

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Aqui se detêm as sereias azuis e os cavalos de asas.

Aqui renuncio às flores alegres do meu íntimo sonho.

Eis os jornais desdobrados ao vento em cada esquina:

“Assassinado quando abençoava o povo.”

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Cecília Meireles (1901-1964)

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Oferta a Maiakóvski

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Perdão, Vladimir,

a tua irmã se feriu no dedo.

Para mim todas as dores têm tamanho.

Experimenta se as minhas mãos são leves

para fazer um penso.

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Jorge de Lima (1893-1953)

.

.

Dores São Marcos

.

isso que o que chamam de amor vem

e quando vem não convém fugir

não convém destruir

nem se arrepender também

.

há os que procuram e acham

metendo o amor em qualquer buraco

outros capotam de paixão

e ainda os que são maus de taco

.

existem os que imitam o seu destino

os galinhas-mortas-de-despacho

tudo banha do mesmo tacho

que arrotam grosso e falam fino

.

os sofredores têm preferências várias:

uns querem que a dor os afogue em lágrimas

uns querem que a dor se crispe em raiva

uns vêm na dor apenas uma ação nevrálgica

.

Marcos Prado (1961-1996)

.

.

O Homem Negro

.

Meu amigo, meu amigo,

Estou muito, muito doente.

De onde veio esta dor, nem mesmo eu lembro.

Seria o vento que assobia

No campo árido e deserto,

Ou talvez como os bosques em setembro

O álcool desfolha o meu cérebro?

.

Sierguéi Iessiênim (Rússia, 1895-1925)

.

.

Queixas noturnas

.

Quem foi que viu a minha dor chorando?!

Saio. Minh’alma sai agoniada.

Andam monstros sombrios pela estrada

E pela estrada, entre estes monstros, ando!

.

Não trago sobre a túnica fingida

As insígnias medonhas do infeliz

Como os falsos mendigos de Paris

na atra rua de Santa Margarida.

.

O quadro de aflições que me consomem

O próprio Pedro Américo não pinta…

Para pintá-lo, era preciso a tinta

Feita de todos os tormentos do homem!

.

Augusto dos Anjos (1884-1914)

.

.

Autopsicografia

.

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

.

Fernando Pessoa (1888-1935)

.

.

A grande dor não se assoa.

.

Acaba de me ocorrer uma outra verdade:

a grande dor não só não se assoa,

como é humorística.

.

A grande dor,

aquela que não tem nenhum consolo terreno,

dança mambo.

.

A pessoa pula, chocalha

e tem espasmos

de mambo.

.

Nelson Rodrigues (1912-1980)

.

.

A dor no Dalton

.

Texto 23 do livro Ah, é?

.

Com a morfina seu João esmorece, aliviado.

- Agora está melhor. Chegando o fim.

À sombra da laranjeira trina o canarinho. A velha espia da porta, sem coragem de entrar. Ele geme.

- Puxa, como dói.

Num longo suspiro:

- Agora me vire. Bem deva…

No meio da palavra, se foi. A velha pára o relógio da sala – cinco e dez em ponto. Pintassilgo, canário, sabiá começam a cantar. Bem o velho tinha razão:

- Quando está pra chover eles fazem música.

.

Dalton Trevisan

.

.

doa, dor!

.

essa dor que me dói

e dói tanto que deus me perdoe

já passou desta pra melhor

sabe-se lá quantas vezes

milênios séculos anos meses

de um dia para outro bem pior

essa dor não quer que eu me doe

até que eu sinta o quanto dói a bondade

de escrever sem dó nem piedade

.

Antonio Thadeu Wojciechowski

.

.

A minha dor

.

A minha dor é um convento ideal

Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas de um requinte escultural.

.

Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal.

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas, no correr dos dias.

.

A minha dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!

.

Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve…ninguém vê…ninguém…

.

Florbela Espanca (1895 – 1930)

.

.

De repentes

.

vôos repentinos

poemas

tristes pétalas

.

desfaça as malas

.

belezas doem

se você quer

levá-las

.

Roberto Prado

.

.

Espinho

.

Não sei se tiro o espinho

ou cutuco mais a dor

Quem foi o gênio maluco

que inventou o tal amor?

.

Não sei se pego meu rumo

ou me arrumo como for

sem saber se tiro o espinho

ou enfio mais a dor

.

Não há de ser nada, não

vai passar, diz o amigo

Imagine o que então

não dirão os inimigos

da tua cara de tonto

até gostando da dor

em vez de tirar o espinho

só tirar o espinho e pronto

.

Nem sei como tiro o espinho

se tiro bem devagar

ou tiro devagarinho

vendo a dor me deixar

.

Não sei se tiro o espinho

não sei se vou agüentar

a falta da minha dor

em troca do teu carinho

Quem foi o gênio maluco

que inventou o tal amor?

.

Domingos Pellegrini Jr.

.

.

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•30/10/2009 • Deixe um comentário

thadeuetanka

Tanka 19/07/1997 – 04/08/2009.

.

luz canina
se apagou
como ainda me ilumina?

.

thadeu wojciechowski.

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Saudade

.

.

Perdi-me dentro de mim/ Porque eu era labirinto,/ E hoje, quando me sinto,/ É com saudades de mim.

.

Mário de Sá Carneiro (1890-1916)

.

.

Meus oito anos

.

Oh! Que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida,/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores,/ Naquelas tardes fagueiras/ À sombra das bananeiras,/Debaixo dos laranjais!

.

Casimiro de Abreu (1839-1860)

.

.

Eis aí uma coisa que você só tem quando não tem. E vem quando você vai do presente para algum lugar do passado. Um saudoso poeta nos disse, um dia desses, que tinha saudades do futuro. Isso é fácil de entender, é só ver o caos, a ladroagem, a deselegância e predação que hoje infestam a Terra. Mas o tempo vai passar e muita gente vai acabar sentindo saudades e dizendo “bons tempos aqueles”. Uma só pazada de saudade enterra mais de um. E “morrer de saudades” não é só maneira de dizer. “Banzo” foi o nome da doença da saudade que entre os escravos fez muitos estragos, no Brasil colonial, quando enlouqueceu e matou milhares deles. Nos EUA, o mesmo banzo deu origem ao rhythm-and-blues, que gerou os vários rocks, que também são de morte. O “spleen” era a nostalgia importada pelos ultra-românticos brasileiros e que matava de tuberculose antes dos poetas terem do que sentir saudades de verdade. Que saudades dá da professorinha do Ataulfo Alves quando escutamos as letras de música que estão na mídia de hoje em dia, onde “saudade” virou sinônimo de desilusão amorosa infanto-juvenil em seu estado mais bruto. Por não ter tradução em outros idiomas, a palavra saudade é só do Brasil e de nós, pobres brasileiros que, talvez por isso mesmo, sempre ficamos mesmo na saudade.

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

.

.

enquanto o quando não vem

.

quando teus olhos

retornarem

eu quero a impressão

de tuas estrelas

.

em minha mão

.

quando teus ouvidos

regressarem

eu quero a intenção

de minhas estrelas

.

em tua mão

.

quando teus lábios

falarem

com os meus

eu quero a constelação

.

uma única estrela

em nossa mão

.

Antonio Thadeu Wojciechowski

.

.

Uma saudade a la Paulo Leminski

.

tão longe eu lhe disse até logo

um pouco de tudo passou-se outra vez

e foi uma vez toda feita de jogos

aquela outra vez que não soube ser vez

pois voltou e voltou e voltou

sem saber que de duas uma

nunca são três

.

Paulo Leminski ( 1944-1989)

.

.

saudades da lancheira

.

onde andam vocês, bolachas maria ?

amiguinhos toddys

cream crackers piraquê

por que me abandonaram ?

venham, duchens

voltem, zequinhas

bidu-cola, crush e mirinda

apareçam antes que eu morra pela boca cheia de formiga

.

Marcos Prado e Édson de Vulcanis

.

.

Saudade do Chapéu

.

meu chapéu dormiu triste

ouvindo Cartola

acho que o Cardoso ainda existe

.

(Obs.: Alberto Cardoso: poeta falecido em 1994 e que, como Marcos, usava chapéu)

.

Marcos Prado (1961-1996)

.

.

20 anos em 2 fragmentos de saudade

.

Poema de 1999

(…)

Causar saudade é próprio de quem parte

para viver além deste mundo

ou no Alto da Glória esconder-se,

onde sua poesia é mensagem de marte

que apesar do traço fecundo

em vão aspira com a vida entender-se.

.

Poema de 1979

(…)

menos que foi

mais que é

mais que menos que foi

nada mais

.

Roberto J. Bittencourt

.

.

Saudade Rastafari

.

Jah, rei dos reis e de todos os reinos

Jah criou e fez nossos caminhos

o homem branco chegou

e me levou embora da minha terra querida

me levou para uma terra de exílio

e tirou de mim até minha alma

não vou mais cantar canção nenhuma

nesta terra medonha

e se eu quiser esquecer esta agonia

é melhor esquecer que vim pra cá

.

Canção foclórica da Jamaica

.

(Versão de Luís Antônio Solda)

.

.

o que tanto você lembra?

.

Lembra? Claro que lembra, era aquela,

aquela mesmo, lembrou?

Ah! Não!

Vai dizer que esqueceu

justo aquela uma

que praticamente a gente morou?

Aquela uma lá, que representa o tipo

de uma estradinha,

aquela lá lá, perto do armazém da Dona Coisinha,

logo ali,

que antes era tão longe.

.

Roberto Prado

.

.

Acalanto para as mães que perderam o seu menino

.

Dorme, dorme, dorme…

Quem te alisa a testa

Não é Malatesta,

Nem Pantagruel

- O poeta enorme.

Quem te alisa a testa

É aquele que vive

Sempre adolescente

Nos oásis mais frescos

De tua lembrança.

.

Dorme, ele te nina.

.

Te nina,. te conta

Sabes como é –

Te conta a experiência

Do vário passado,

Das várias idades.

Te oferece a aurora

Do primeiro riso.

Te oferece o esmalte

Do primeiro dente.

.

A dor passará,

Como antigamente

Quando ele chegava.

Dorme…Ele te nina

Como se hoje fosses

A sua menina.

.

Manuel Bandeira (1886-1968)

.

.

Confidência do Itabirano

.

(…)

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói.

.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

.

.

Maikóvski: uma saudade aos pedaços

.

Uma da madruga, você deve estar na cama.

Daqui, a Via Láctea é um rio de prata.

Não tenho pressa. Para que acordá-la

com o relâmpago de mais um telegrama?

Como se diz: o caso está encerrado.

A canoa do amor encalhou no cotidiano.

Estamos quites, inútil o apanhado.

Da mútua dor, mútua cota de dano.

Vê como tudo agora emudeceu?

Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu!

Em horas como esta eu me ergo e converso

com os séculos, a história, o universo.

.

Wladímir Maiakóvski

.

.

Que saudade de Emily Dickinson!

.

Tive uma Jóia nos meus dedos

E adormeci.

Quente era o dia, tédio os ventos.

“- É minha”, eu disse.

.

Acordo e os meus honestos dedos

(Foi-se a gema) censuro.

Uma saudade de ametista

É o que possuo.

.

Emily Dickinson ( EUA, 1830-1886)

.

.

Saudade por Dalton Trevisan

.

61 do livro 234.

.

Saudade. O aperto da mão de uma sombra na parede.

.

104 do livro 234.

.

Velho: uma caneca trincada de louça, o nome Saudade quase apagado.

.

.

Infância

,

Um gosto de amora

comida com sol. A vida

chamava-se “Agora”.

.

Guilherme de Almeida (1890-1969)

,

,

faz falta

.

está faltando uma música na minha vida

aquela que o Hendrix ia compor

mas viajou no barbitúrico

.

está faltando uma orelha em algum lugar

talvez seja uma pincelada de van gogh

dando as tintas para o magoo*

.

está faltando um poema na minha boca

mas meus dedos mordem a caneta

e só de ouvirem queixa levam a mão ao berro

.

está faltando vergonha na minha cara

e continuo achando que a culpa é dos outros

e ninguém tem nada com isso

.

está faltando dinheiro na minha conta

alguém anda gastando o que não tenho

e ainda cobra caro pelo serviço

.

está faltando uma palavra neste poema

uma que diga a que veio antes de partir ao meio

essa sensação de que alguma coisa me falta

.

* Magoo – admirável criador, pintor, designer de Curitiba

.

thadeu w

.

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•27/10/2009 • 4 Comentários

miseria.

Miséria

.

A globalização determina: “quem não é um técnico altamente preparado, do tipo mão-de-obra qualificada, nascido num país equilibrado e com um tantinho de sorte, é melhor pedir pra morrer”. De fome, doença, stress, depressão ou, simplesmente, amanhecer com a boca cheia de formiga, vítima de qualquer um desses grupos de extermínio que existem, às escâncaras, chacinando por aí. Uma lei da física, que é fora-da-lei se aplicada na moral e na ética, acoberta a cobiça da falsa internacionalização: matéria atrai matéria na razão direta das massas. Grandes empresas incorporam as médias que já haviam incorporado as pequenas, formando mega-hiper-super-tubarões de porte e capital tão incalculáveis que beiram a fantasia e a abstração. Calculem então o número progressivo de desempregados vendendo coxinha, amendoim, cachorro-quente e contrabando por este mundão afora. Ou, como na Europa, receber um cala-boca na forma de salário desemprego e passar o resto da vida no escurinho de uma discoteca tomando ectasy, rebolando ao som da repetitiva e marcial batida da dancing music, da plena luz do dia até altas madrugadas. A lei do cão vale também para cartéis, máfias, exércitos mercenários, racistas, quadrilhas políticas, pornografistas e fanatismos em geral, que também vão se unindo em organizações universais. Na idade média os burgos já eram verdadeiras fortalezas, tentando deixar a pobreza e os problemas do lado de fora, imagine então o que será a idade mídia que vem por aí. Se te pegam, não vai dar pra saber nem de onde vem quanto mais quem está batendo: à noite todas as griffes são pardas. Escritores de ficção, diretores de cinema, pintores, sociólogos e historiadores já alertavam para o perigo do inferno se instaurar definitivamente entre nós. Ou seja, uma sociedade composta de pequenas tribos que vão trazer de volta a alegria do combate, a felicidade de se morrer na guerra, a glória de se deixar este mundo pela redenção dos irmãos e mais chegados. E olha que a miséria econômica é, na verdade, a menor das que maculam a Terra. Se comparada com a desgraceira das misérias intelectual, moral, ética, cultural, a miséria material é pouca bobagem. Nós, poetas, miseráveis por tradição, estamos irmanados com os que morrem pela falta e estupefatos com os que estrebucham pelo excesso. E pensar que esses pobres diabos um dia reinarão. Falando nisso: toda a ganância será castigada. Como? O tempo, senhor da razão, há de alumiar a escuridão que momentaneamente parece cegar e fazer misérias com todo mundo.

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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do Livro dos Contrários

.

o rico recebeu o pobre em seu palácio

lhe deu um tratamento digno de rei

“o que você quer de mim, palhaço?”

disse o pobre, e o rico: ainda não sei

.

o pobre ficou puto da cara e, mudo,

ouviu que o rico era o seu favor e queria

aumentar o que já tinha e dividir tudo

menos o que pra ele mais valia

.

o silêncio tomou conta da conversa

e ele mesmo passou a ser o assunto

o pobre quer ser rico e não confessa

o rico ser ralé por um segundo

.

Marcos Prado

.

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roteiro para um pedinte mais incisivo

.

me jogue uma grana na mão

te pago quando seqüestrar o avião

eu já agüentei o mais que pude

é duro manter a fama de Robin Wood

.

tudo o que eu preciso é de uma força

torça por mim antes que eu te torça

morra com a grana aqui e agora

pra não morrer com ela lá fora

.

ser bonzinho foi o meu grande mal

quero a primeira página de jornal

o inferno só vive de cara esperto

.

meta a mão devagar e no bolso certo

muito cuidado ou viro bicho já

daí não quero nem estar onde você está

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

.

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miserê

.

Nas favelas que existem nas cidades

se disputa comida com os urubus.

Difteria, raquitismo, verminose,

lá o verme bebe, come e dorme.

.

Pro capeta em pessoa é overdose:

epilepsia, dentes podres e fedor.

A vida dessas criança é um aparelho

só passa filmes de ódio e terror.

.

Não é mole ser feio, fraco e pobre,

acabar numa delegacia de menores

sem canivete, soco inglês e/ou revólver.

.

Eles mereciam dias melhores,

mas não é isso que resolve

o juizado de menores.

.

Antonio Thadeu Wojciechowski, Marcos Prado e Roberto Prado

.

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acabou-se tudo

.

baby, o gás acabou

baby, cortaram a luz

baby, cortaram a água

vamos pedir pra Jesus

.

baby, pule a cerca

baby, costure pra fora

baby, rode a bolsinha

enquanto eu peço esmola

.

baby, pegue quatro tijolos

e a grelha do fogão

vamos fazer um miojo-lámen

e pro nenê um pirão

.

Marcos Prado e Márcio Goedert

.

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vai querer o quê?

.

pobreza na velocidade máxima

não dá para acelerar mais

agora já preciso de óculos

não consigo enxergar quais

pra onde vai o brasil ?

cisco no olho

ou torpedo no céu de anil ?

.

miséria na velocidade mínima

será que não vai parar mais ?

agora já preciso de músculos

não consigo segurar tais

pra onde vai o brasil ?

cisco no olho

ou torpedo no céu de anil

.

(thadeu, marcos, walmor e beco)

.

.

policiais em tiras

.

muita violência pra pouco assassinato

pouco fubarim pra muito rato

a inflação roeu o dinheiro do assalto

AR 15, UZI, 44, granadas de mão

sequestro seguido de resgate nunca menos de um milhão

só o suficiente pra caber no camburão

.

(thadeu, marcos prado e cobaia)

.

.

a vingança do povão

.

tenho fome

da carne que não comi

pena

dos ossos que roí

.

rato assado

você acha bão

rato assado

você acha bão

.

sabe o que é cheirar lingüiça

e ter que lamber sabão

.

.

(thadeu, cobaia, edilson, edson, marcos prado e bira)

.

.


chão de brasas

.

“Eu só via frango a passarinho”

.

Retamozzo

.

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comido o pastel de brisa

sonho pela barriga

o vídeo da última comida

não há piquenique sem formiga

.

salva de sal grosso

nas partes do elefante

acordo para o almoço:

espetinho sem carne

.

antonio thadeu wojciechowski, marcos prado, roberto prado e sérgio viralobos

.

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•22/10/2009 • 6 Comentários

othadeu

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VIVO OU MORTO?

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aproveitei meu enterro

para plantar minha obra

agora há tempo de sobra

e vão dar certo meus erros

.

o tempo tem seu fermento

o espaço, sua ilusão

eu tenho em meu coração

sementes de esquecimento

.

não fui melhor nem pior

sou um a mais entre tantos

se hoje eu somasse só encantos

a perda seria maior

.

ninguém em sã consciência

daria de graça seus bens

agradeço os parabéns

por minha santa ignorância

.

um texto nem sempre é lido

vem o vento ágil e leva

papel, palavra, quimera,

frases sem nenhum sentido

.

o que foi, é e seria

se perderá na poeira

a vida foi brincadeira

ser feliz era o que havia

.

mas, poeta, fui inverso:

dei de comer às palavras

sete anos de vacas magras

alimentaram meus versos

.

mas depois parti pro abraço

e a vida boa me sorriu

quem se enxerga já me viu

inteiro em cada pedaço

.

agora que faço parte

de mim, eu só quero arte

não para odiar ou copiar-te

mas, quem sabe, recriar-te

.

antonio thadeu wojciechowski

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•21/10/2009 • Deixe um comentário

sorren

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Solidão

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“Um homem sozinho não tem chance.”

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Ernest Hemingway

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A solidão é grande mas não é duas. Porque se não ela teria companhia. Solidão não é estar só. Solidão é quando não tem ninguém dentro de você. E não estamos aqui falando do vazio zen. A solidão a que nos referimos é aquela que todos sentimos quando o que nos completa está em falta. Solidão não é pra qualquer psicopata ou esquisofrênico. Ela é um tipo de vírus, bactéria, micróbio, sei lá, só sei que quando te pega de jeito só resta chorar. Como bem dizia o poeta “antes solidão do que mal acompanhadão”. Solidão é o que você sente quando você rompe com seus amigos traíras. Ninguém está livre de se encontrar consigo mesmo sozinho na montanha e você estar por baixo. Até Jesus que era Jesus teve que se refugiar no deserto para, livre, das gracinhas e zoeiras de seus apóstolos, poder pensar em Deus. Bodishatawa parou de frente a um muro, fixou o olhar e durante 12 anos, se preparou para uma longa vida de convívios e chateações, neste mundo de 5 bilhões de falsários. Holderlim, um dos grandes poetas alemães, foi mais esperto, se apaixonou pela impossível, só pra depois subir numa torre e passar de papo pro ar o resto da vida, bem guardado por um fiel carroceiro, que dizia para todos os visitantes que era melhor não mexer com o louco. Assim pode reescrever toda a poesia clássica. A maior solidão é a companhia errada: a mulher que não se ama, o amigo que se detesta, o patrão que se prevalece, o policial que abusa do poder. Mas a solidão que mais dói é estar com um ignorante, nos sentindo burros da palavra. No mundo vip do convívio social, quanto mais gente maior a solidão. Ela é diretamente responsável pelos estranhos seres que aparecem na tua cama, mesa e banho. Deus antes de criar o mundo não sentia solidão, depois sim.

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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solitário

.

Como um fantasma que se refugia

Na solidão da natureza morta

Por trás dos ermos túmulos um dia

Eu fui refugiar-me à tua porta

.

Fazia frio e o frio que fazia

Não era esse que a carne nos conforta

Cortava assim como em carniçaria

O aço das facas incisivas corta

.

Mas tu não vieste ver minha desgraça

E eu saí como quem tudo repele

Velho caixão a carregar destroços

.

Levando apenas na tumbal carcaça

O pergaminho singular da pele

E o chocalho fatídico dos ossos!

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Augusto dos Anjos ( 1886-1914)

.

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redoma à prova de nada

.

o ato foi, como direi, exorbitante

onda de espinhos num mar de rosas

crítica não é arma de amante

causam-me alergia as más novas

bastam meus problemas de solução errante

.

não fui criado pra enfrentar uma crise

durmo com panos quentes por coberta

a vida não é mais animada por walt disney

ficou esta multidão de estraga-festa

o canto de galo foi o canto de cisne

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

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vencido pelo cansaço

.

os dias se foram

você não voltou

a dor que senti

não está no gibi

.

corro o dia inteiro

não paro pra pensar

destino tão maneiro

não dá pra acreditar

.

a terra onde navega

tão longe assim do mar

pelas barbas do profeta

não dá pra acreditar

.

Antonio Thadeu Wojciechowski

.

.

declaração do criminoso na solitária

.

Matei minha mulher.

Matei.

O ódio com que a odiava

era maior que o amor que a odiava.

Mas não matei a mãe de meus filhos.

É por isso que o retrato dela está sempre comigo.

.

Murilo Mendes (1901-1975)

.

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solidão sem dor

.

“Nenhuma garota apareceu naquela noite, o rádio não tocou nenhuma música legal. Matei todo o garrafão, vomitei na beirada da cama e dormi. Não me senti sozinho, nem muito triste. Na verdade mesmo, não senti nada. Só aquele gosto acre e o velho fantasma querendo sair de dentro do estômago.”

.

Mário Bortolotto

.

(trecho do Mamãe não Voltou do Supermercado).

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distante de mim

.

Eu cá quando escrevo

pra um amigo distante

me sento

me sinto

nostálgico, tanto.

.

Quem sabe eu também

quisesse estar

distante de mim.

.

Domingos Pellegrini

.

menino chorando na noite

.

Na noite lenta e morna,

morta noite sem ruído,

um menino chora.

O choro atrás da parede,

a luz atrás da vidraça

perdem-se na sombra dos passos abafados,

das vozes extenuadas,

e, no entanto,

se ouve até o rumor da gota de remédio

caindo na colher.

.

Um menino chora na noite,

atrás da parede, atrás da rua,

longe um menino chora,

em outra cidade talvez,

talvez em outro mundo.

.

E vejo a mão que levanta a colher,

enquanto a outra sustenta a cabeça

e vejo o fio oleoso

que escorre pelo queixo do menino,

escorre pela rua, escorre pela cidade,

um fio apenas.

E não há mais ninguém no mundo

A não ser esse menino chorando.

.

Carlos Drummond de Andrade

.

.

solidão sideral

.

daquela estrela até esta outra

a noite é uma camisa de força

em claro adeus à companhia

.

solidão desta estrela

à solidão daquela lá

tão longe, tão só

cansa até pra falar

.

Antonio Thadeu Wojciechowski

.

.

a solidão

.

A solidão sempre aparece com beijos e bombons

A solidão faz visitas regulares a seus amigos íntimos

A solidão procura o inverno em pleno verão

A solidão brinca no mar com seus dedos de açúcar

A solidão vive sorrindo para desconhecidos

A solidão ainda se emociona com filmes antigos na televisão

A solidão a solidão tem olhos escuros, a solidão tem olhos azuis

A solidão tem uma cerca branca com rosas e uma bicicleta

A solidão imagina gueixas cujos olhos são borboletas de vidro

A solidão é uma loucura e arrebata concursos de beleza

A solidão bebe em meu corpo seu próprio desespero

A solidão adora esconde-esconde e amarelinha

A solidão coleciona diários e discos do coltrane

A solidão usa pijamas de bolinhas e óculos quebrados

A solidão depois do sexo ainda se sente sozinha

A solidão e eu somos apenas bons amigos

A solidão corta meus pulsos com uma gilete de sal

depois sai chapada pelas ruas

com uma folha de alface na lapela

.

Rodrigo Garcia Lopes

.

.

Minha solidão

.

A minha solidão hoje sorriu diferente,

Ela doeu meu choro contido.

A minha solidão foi surpreendente,

Me mostrou o que eu sou quando estou comigo.

Hoje chorei como quem caminha para casa.

Sou aquele cara interessante,

A viver com a solidão ao lado,

A cumprimentar os outros sentimentos de longe.

A me achar bonito nos outros.

A solidão me machucou,

Revelou sua doença de permanecer para sempre nos meus olhos.

A solidão me falou baixinho no ouvido as minhas dúvidas.

A solidão foi cruel esta noite,

Ela me contou o que eu sou nos mínimos detalhes.

Eu não quero isso pra ninguém.

Não façam como eu,

não levem em consideração o que a solidão fala.

A solidão se diz minha amiga,

Mas me faz dormir num lugar sujo

Com um ser humano solitário.

A solidão mora em quem ela quer.

As pessoas não têm a escolha de rejeitá-la.

A solidão come o nosso melhor pedaço,

Espera os outros comerem a carniça da alma.

A solidão não tem calma, lambe o prato até o suco da vontade.

A solidão que eu tenho, não recomendo pra ninguém,

Até por que fui eu quem a criou.

A solidão não demora em narrar o momento.

A solidão causa sofrimento sem querer.

A solidão adulta permanece acordada,

Mesmo quando dormir é inevitável.

.

Alexandre França

.

.

olhos da solidão

.

estranho

esse sujeito

que vi

na rua

.

não existiria

se eu

não o tivesse

visto

.

engraçado

esse sonho

.

eu só

existir

aos olhos

daquele

sujeito

estranho

.

Marcos Prado

.

.

quitanda dos quintanares

.

o poeta silencioso

leva a alma

a passear

pelas alamedas

amarelecidas

.

são fotografias

que o tempo

mastigou as pontas

.

Luiz Antonio Solda

.

.

pérolas

.

Buda falou e disse

quando disse

que tudo é ilusão.

Jesus ensinou

que aqui a coisa só anda

a golpes de perdão.

.

Vazio ou cheio,

o caminho de Tao

é mais no meio.

.

Foi aí que me vi sozinho,

com essa chuva de pérolas

batendo no meu focinho.

.

Roberto Prado

.

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CORITIBA – 100 ANOS DE AMOR E GLÓRIAS

•12/10/2009 • 7 Comentários

coritiba30112008_6

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CEM ANOS DE EMOÇÃO.

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Aí está, meus amigos. Uma página para o futebol, NO DIA DOS 100 ANOS DO MEU QUERIDO CORITIBA. Uma seleção campeoníssima. Onde a homenagem maior fica para o gênio do esporte, o Garrincha, a alma passarinha. Mas não quero deixar de homenagear também aos coxas Cláudio Fajardo, Alessandro Wojciechowski, Roberto Prado, Ubiratan Gonçalves de Oliveira, Solda, Vera e Caetano, Pedro Prado, Sérgio Viralobos, Maringas, Walmor, Cobaia, Catarina Velasco, Marcelo Chytchy, Chico Fantasma, Marcela Gonçalves de Oliveira, Alua e Paola Wojciechowski, Cláudia Becker, Kevin Kojo Wojciechowski, Edson de Vulcanis, Márcio Goedert, Zé Buffo e aos rubro-negros Edílson Del Grossi, Ivan Justen, Flávio Jacobsen, Francisco Cardoso e José Alberto Trindade.

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Futebol – uma folha seca

que não faz outono.

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O futebol legítimo é uma invenção do Pelé e do Garrincha. Com contribuições do Zizinho, Roberto Carlos, Didi, Nilton Santos, Zico, Maradona, Krüger, Sicupira, Romário e Ronaldinho. Como se pode ver, só dá Brasil. Maradona está aí na lista porque se inspirou em Rivelino. Falam muito de Puskas e Di Stéfano, mas eles não valem um Tostão. Mas esse papo é meio oxo. Quem não viu Garrincha, o anjo das pernas tortas, precisa saber que de seus pés nasceram os 3 minutos mais maravilhosos do futebol mundial. Os russos tinham se preparado cientificamente para copa, com computadores, aparelhos e sei lá mais o que, o Mané saiu driblando até sua própria sombra e deixou meio time esparramado pelo chão. Pra nós, poesia e futebol sempre deram samba.

Épico ( 58 ) , heróico (62), lírico (70) e dramáticos. É so relembrar o salto alto de 50, os magníficos derrotados de 82, o pênalti errado por quem nunca errou de 86, o gadelhudo argentino loiro burro de 90, os nervos em frangalhos de 94, e estamos conversados. Aqui no Paraná, futebol se chama Atletiba. E torcida fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, casa com o coxa. E vê seus filhos Passarinho, Krüger, Kosilek e Edson atacando até hoje para as defesas espetaculares do Caju. E por falar em futebol, somos penta, graças ao Romário e ao Ronaldinho. Vem aí outra copa, mas isso também não tem importância. Melhor é ir tomar uma gelada e comer um bolinho no Bar do Torto, lá o Garrincha ainda vive. E como o Arlindo trata bem a gente!

.


Gol!

O resto é prosa.

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

.

era dunga

.

definitivamente não entendo nada de soccer

pelé e garrincha foram dribles na imaginação

quem eu chapelava, hoje me bota nas canetas

dunga é o duplo sentido em pessoa

quem mais destrói é o mais acionado

vitória de 1 x 0 não pode mais ser derrota

que a jogada mais sutil seja um trompaço bem dado

a última folha seca tirou tinta da trave há quantos outonos?

.

Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

.

.

do parto ao ponto de partida

.

tomado um passeio

com ola e olé no meio

levou, além do voleio,

a vaia que devolveu sua fuça ao espelho

.

colocado pra escanteio

veio de quebra

na volta

o maior vareio

.

caiu da maca mancando

e sob a sanha assassina

da massa ensandecida

suou sangrando

e sozinho

o banho de bola

da sua vida

.

Roberto Prado

.

.

hino ao coxa

.

nós já nascemos vencedores

mesmo quando perdemos

ou empatamos

sempre e sempre ganhamos

pois somos 5 milhões de jogadores

.

Marcos Prado e Plínio Gonzaga Filho

.

.


o gênio de Pau Grande

.

Com o Garrincha jogando

a bola ia sempre na mesma direção,

para o mesmo lado do campo

ou às vezes nem ia até.

.

Ficava ali, parada, olhando pro Mané,

que olhava os adversários no chão.

Em segundos que pareciam horas,

pensava: “Deus joga certo por pernas tortas”

.

Antonio Thadeu Wojciechowski

.

.

o melhor hino de todos os tempos

.

a grama é verde

a cal é branca

é bola na rede

a bandeira verde e branca se levanta

.

coxas pisam em campo

outro time treme nos tamancos

mesmo que a trave entre de sola

o ponto de vista é a bola

.

mesmo que o estádio vá abaixo

saímos dos escombros no braço

sou Coritiba, sou coxa roxo

nossa torcida tem sangue guerreiro

leva nos ombros o Torneio do Povo

leva no peito o Campeonato Brasileiro

.

sou Coritiba, sou um por todos

ganho na raça do mundo inteiro

.

Antonio Thadeu Wojciechowski, Sérgio Viralobos e Ubiratan G. Oliveira

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dois gols de placa

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1º tempo

.

manchete

.

CHUTES DE POETA

NÃO LEVAM PERIGO À META

.

.

2º tempo

.

quero a vitória

do time de várzea

.

valente

covarde

.

a derrota

do campeão

.

5 x 0

em seu próprio chão

circo

dentro

do pão

.

Paulo Leminski

.

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4 jogadas de gênio.

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1. Quem ganha e perde as partidas é a alma.

.

2. A arbitragem normal e honesta confere às partidas um tédio profundo, uma mediocridade inenarrável. Só o juiz gatuno, o juiz larápio dá ao futebol uma dimensão nova e, se me permitem, shakespeariana.

.

3. O futebol é a mais feia, a mais cruel, a mais tenebrosa das paixões. De repente, Mané Garrincha apareceu. Todo o povo exultou porque o seu jogo tinha milhares de guizos radiantes. Diante dele, o torcedor esquecia a sua ira vespa pornográfica. Só com o Mané a multidão aprendeu a rir, só com Mané a multidão deixou de ser a neurótica obscena.

.

4. O que eram certas jogadas de Pelé se não cínicos e deslavados milagres?

.

Nelson Rodrigues, o Pelé da crônica esportiva.

.

.

Ademir da Guia

.

Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo (e o peso),

da lesma, da câmara lenta,

do homem dentro do pesadelo.

.

Ritmo líquido se infiltrando

no adversário, grosso, de dentro,

impondo-lhe o que ele deseja,

mandando nele, apodrecendo-o.

.

Ritmo morno, de andar na areia,

De água doente de alagados,

Entorpecendo e então atando

O mais irrequieto adversário.

.

João Cabral de Melo Neto

.

.

Entra em campo Marcos Prado

.

Não se afobe com essa menina,

é preciso classe para dominá-la.

Calma, ela é que o ensina

onde se deve ou não tocá-la.

.

Por ter as formas perfeitas,

e os macios, simétricos gomos,

é mais carinhosa com quem a ajeita

do que quem a persegue como gnomos.

.

Apesar de ser o centro das atenções,

e ter poder sobre o mundo todo,

ela rola, humilde, entre as paixões,

exposta ao sol, à chuva, ao lodo.

.

Não se incomoda que a matem no peito,

que a chutem, que a dividam, que a isolem,

que a levem no bico, e, com efeito,

ela procura o ângulo que lhe escolhem.

.

Carente, ela também busca o abraço

daquele que melhor a encaixe,

do que a tem ao alcance do braço,

dona absoluta do seu passe.

.

Com o tempo, seus parceiros mudam.

Alguns, com ela, conseguem glória e dinheiro

e pensam que a dominam. Mas não se iludam:

ela sempre comemora o gol primeiro.

.

Esta é a bola, genial, feminina,

fascínio de quem defende e ataca.

Aos grossos, ela, cruel, fulmina.

Aos artistas, ela brinda o gol de placa.

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marcos prado

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•12/10/2009 • 2 Comentários

Edgar_Allan_Poe_The_Tell-Tale_Heart_Cover2

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O escritor americano Edgar Allen Poe, considerado o mestre do conto e da literatura fantástica, descansa finalmente em paz, depois que a cidade de Baltimore, no estado de Maryland, ofereceu a ele – 160 anos após sua morte – o funeral que nunca teve.

Quando Allan Poe (1809-1849) morreu há mais de um século, seu enterro passou despercebido e apenas uma dezena de pessoas participou dele.

Mas este domingo, Baltimore transformou o segundo funeral do genial escritor em uma grande homenagem, visto que realizou não um mas dois serviços fúnebres às centenas de cidadãos que queriam dar ao escritor seu “último adeus”.

Desde quarta-feira, centenas de pessoas passaram pelo Museu dedicado ao mestre do terror, onde a cidade instalou uma pira com uma réplica do corpo de Allan Poe Quando Edgar Allan Poe morreu em 1849, aos 40 anos de idade, seu falecimento não se tornou público, por isso que só 10 pessoas foram se despedir dele.

Mas de seu segundo funeral participaram inclusive réplicas de Alfred Hitchcock, H.P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle.

Os amigos de Allan Poe, admiradores e artistas da época, interpretados por atores, também participaram dos dois funerais, realizados no marco das celebrações do bicentenário do nascimento do escritor.

Baltimore dedicou todo o ano de 2009 a honrar a figura e a obra do mestre do horror gótico, que nasceu em Boston, mas que morreu nesta cidade portuária, próxima a Washington.

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Mallarmé dedicou-lhe estes versos, que foram genialmente traduzidos pelo Augusto de Campos.

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A tumba de Edgar Poe – Mallarmé

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Tal que a Si-mesmo enfim a Eternidade o guia,

O poeta suscita com o gládio erguido

Seu século espantado por não ter sabido

Que nessa estranha voz a morte se insurgia!

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Vil sobressalto de hidra ante o anjo que urgia

Um sentido mais puro às palavras da tribo,

Proclamaram bem alto o sortilégio atribu-

Ìdo à onda sem honra de uma negra orgia.

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Do solo e céu hostis, ó dor! Se o que descrevo –

A idéia sob – não esculpir baixo-relevo

Que ao túmulo de Poe luminescente indique,

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Calmo o bloco caído de um desastre obscuro,

Que este granito ao menos seja eterno dique

Aos vôos da Blasfêmia esparsos no futuro.

.

Por Augusto de Campos

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•10/10/2009 • Deixe um comentário

caos1

Próximo post

•09/10/2009 • 7 Comentários

tadeu1

Foto by Lina Faria

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nazifacismo contemporâneo

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“O grande problema das ditaduras é o poder concentrado no guarda da esquina.”

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não, não são as bilhões de toneladas de dióxido de carbono

que um bilhão de veículos, fábricas, indústrias despejam

dia após dia na atmosfera que você respira

.

não, não são as horas irremediavelmente perdidas

que você passa num grande congestionamento

na mais cruel das solidões

.

não, não são as balas perdidas

os atropelamentos

os acidentes

os distúrbios genéticos

as milhões de pílulas que você toma

não, nada disso faz mal à saúde

.

não, não são os alimentos artificiais,

a refeição às pressas em pé num balcão qualquer

nem a imobilidade de seus músculos diante da TV

.

não, nada disso faz mal

a angústia que você sente

a neurose

o medo da violência

a correria em busca dos bens materiais

o câncer das palavras não ditas

não, nada disso te mata

única e exclusivamente

o meu cigarro é uma ameaça mortal

.

eu, só, em são paulo

vim,

vi

e perdi

a esperança de ver um dia o mundo melhor

.

não se pode mais fumar sob as marquises

nem em bares

estações

paradas de ônibus

cafundó

ou lá onde o vento faz a curva

.

fui detido na rodoviária

maltratado

ameaçado

como se a fumaça estivesse envenenando a cidade

e todos corressem perigo de vida

.

não, não era a chuva ácida que caiu durante o dia inteiro

nem o rapaz que deu 7 tiros no taxista

nem os 10 mil cachimbos acesos na crackolândia

não, nada disso afeta a vida de ninguém

.

a morte, a única culpada,

a visão amaldiçoada dos 4 cavaleiros do apocalipse,

vinha apenas do meu cigarro

aceso na chuva

no meio da rua

sob a proteção enorme do meu nariz

.

enquanto isso

me vigiavam os milhões de olhares

cheios de dedos e cassetetes de um exército camuflado

ocupando os lugares secos e quentinhos da capital

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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Quem quer dinheiro?

•07/10/2009 • 2 Comentários

dinheiro

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Dinheiro

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Ó Senhor, por que me fizeste belo, forte e justo

em vez de rico e poderoso?

( Pedro Prado )

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Nem Jesus deixou de fazer comentários sobre. A parábola dos talentos é o que há. Judas por 30 dinheiros vendeu a mãe e entregou Jesus. O dinheiro deveria ser só o pão nosso de cada dia, mas ai de nós! Fraticídio por herança, o desfalque do traidor, o estelionato nato, o tráfico no sangue, a falsificação da verdadeira prostituição, o assalto mortal, o viver da profanação de túmulo, a cova onde se enterram os caçadores do tesouro de tolo. Tudo por dinheiro. O engraçado é que um mané rouba uma caixa de bolacha Maria, um litro de cinzano e meio cacho de banana podre pra dar de comer aos barrigudinhos e puxa uma cana braba, no entanto, inexplicavelmente somem  5 trilhões de dólares num dia no movimento das bolsas e não tem ninguém pra prender. No mundo, podres de rico tentam evitar que pobres de dar dó venham passar a flanela imunda no parabrisa limpo. A classe média só está em alta nos países baixos. No Brasil, ela só serve para servir o governo. Nós, poetas e leitores, obviamente, estamos sem nenhum tostão. E se ninguém o tem, onde ele estará? Existe dinheiro no além? Em marte também?

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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A Bolsa ou a Vida?

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Todo dinheiro do mundo, em 1929,

cabia na caderneta de poupança do Bill Gates.

Hoje, 68 anos depois, é proibido proibir o capital.

Ninguém está a salvo de um ataque especulativo,

principalmente, quem é mais passivo do que ativo.

A Rússia já está em total petição de miséria,

os EUA, ao contrário, continuam mandando na Terra.

O terremoto de Hong Kong solapa a Bolsa de Tókio.

A Europa, caquética, se finge de morta para não morrer.

Os Tigres Asiáticos são presas fáceis para os fundos de pensão.

George Soros sozinho quebrou a banca da Inglaterra inteira.

O Brasil era de outro planeta mas, desta vez, não.

Pelo menos é o que prevê a História da Inteligência Brasileira.

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

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Trecho do livro Fausto, quando Mefistófeles inventa o papel moeda, cujo lastro era um pseudo tesouro que estaria enterrado no subsolo do império.

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Primeiro-Ministro

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- Eu não podia morrer sem essa !

Vou ler o papel que fez do mal bom à beça:

“O Imperador assina embaixo do valor de 1.000 pratas

garantidas pelo seu incomensurável tesouro enterrado.

Todas as medidas cabíveis já foram totalmente tomadas

pra que cada níquel desencavado

pague esse papel por mim avalizado.”

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Imperador

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- Essa eu não vou engolir ! Falsificaram minha assinatura ?

Já colocaram os velhacos a ferros ?

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Presidente do Banco Central

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- V. Excia. esquece o jamegão que despachou numa gravura ?

Estávamos todos na piscina do Baile do Havaí submersos,

o Primeiro-Ministro, de sunga, vos disse “basta uma penada

pra alegrar os foliões”. Então esse bilhete

se multiplicou industrialmente na Casa da Moeda.

Fizemos séries de 1, 5, 10, 50, 100, 1000 cada

e caiu com tanto gosto no meio do povo inadimplente

que o vosso nome idolatrado nunca esteve tão bem na goela

da patuléia. O alfabeto ganhou mais uma letra

no formato da impressão digital de vosso polegar direito.

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Imperador

- Jura que todo mundo aceita esses impressos sem reserva ?

Dou a régia mão à palmatória em estado de choque monetário.

.

Mefistófeles

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Podemos aposentar a algibeira e rechear a carteira.

Melhor que carta de amor, só nota no meio dos peitos.

Perdoai a expressão chula mas as ações do Reino estavam em queda.

As pesquisas apontam o fim do tráfico e do câmbio usurário.

Está todo mundo de barriga cheia e roupa nova.

Perdoai-me novamente, esses detalhes rebaixam sua obra,

mas fiquei apaixonado por esses papeizinhos engenhosos.

Quereis metal ? O cambista está aí pra isso mesmo.

Não há metal ? Tudo bem, daqui a pouco vamos cavá-lo.

Quem quer outra vida ? Riqueza é coisa que nunca estrova.

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Goethe, por Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos.

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cartão de natal american express

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pendurei meu emprego no caribe

fugi com a filha menor do banqueiro

mulher e filhos, fodam-se

a partir de hoje eu vou me dar bem

quero uma amante como aquelas

mexicanas de novela

vou transformar meu iate

numa boate

e o meu camarote numa suíte do sexo

todo mundo pelada

é hoje

comê bem

bebê bem

já encomendei metade das lagostas do planeta

e o troco em caviar do bom

sobre as champanhes, sou o dono da importadora

com nome falso é claro

porque se não o advogado da, a partir deste momento,

ex-mulher, me fode

coleciono cadilacs rolls royces

mercedes bmws

e nem sei dirigir

porque, graças a deus,

sempre tive alguém para fazer isso por mim

o papai aqui viaja a jato pelo céu

levando um natal de felicidades

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Marcos Prado e Edson de Vulcanis

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BRISA, SOMBRA & ÁGUA FRESCA

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1. brisa

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como um salário de fome

para o cabeça de vento

vem o sopro da primavera

e neste vale tudo de lágrimas

soletra o seu nome

para que eu viva de brisa

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2. sombra


amor & cabana

sonho boboca

vida bacana

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3. água fresca

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Andam depositando dinheiro

em minha conta.

Ouço gente me chamando

de meu louro.

Alguém tem extraído

os meus fracassos das mentes.

E depois de me guiar

(e distrair com pensamentos bons)

ainda me dita o seu próprio louvor,

esse santo anjo do senhor.

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Roberto Prado

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Texto 13 do livro 234.

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Ao ver o pacote de bala azedinha na mão da mulher:

- Assim não há dinheiro que chegue.

E um pontapé na traseira do piá de três aninhos.

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Texto 4 do livro Ah, é?

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- Você anda de romance com outro.

- Vou me encontrar com um homem. E daí?

- Cuidado, menina.

- Já não presta na cama. Você não é de nada?

- E quem paga o teu dentinho de ouro?

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Dalton Trevisan

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sou um sujeito sortudo

nasceu dinheiro

no meu pé de pinheiro

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Solda

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fraldões vaidosos

.

eu era um simples mortal

agora sou acadêmico

de estilo radical

hoje meio anêmico

minha farda é meu fardão

meu fraldão é minha farda

meu paletó de madeira

quinta-feira bolinho e dinheiro pro taxi

o enterro é grátis

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Édson de Vulcanis, Rodrigo Barros e Trindade

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a vingança do povão

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tenho fome

da carne que não comi

pena

dos ossos que roí

.

rato assado

você acha bão?

sabe o que é cheirar lingüiça

e ter que lamber sabão?

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Edílson del Grossi, Édson de Vulcanis, Márcio Goedert, Marcos Prado e Ubiratan Gonçalves de Oliveira

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bíblia angelical

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um paquiderme serpenteia por aí

rinoceronteando inverdades

por que o helicóptero não tem vida?

por ser uma libélula mecânica

sapiente estava o búfalo bill gates

no topo da cadeia alimentar

alguns bilhões de dólares a mais

salvavam a humanidade, nós e os animais

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Edílson del Grossi, Luiz Antonio Ferreira, Magoo, Rodrigo Barros, Walmor Góes

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chapéu sem cabeça

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tenho calos nas mãos de tanto pedir

o dinheiro sempre me esfola

no frio, não tenho nem sonhos

para me cobrir

a fome me come

e ainda pensam que estou fingindo

cheirado de cola

que pra bebida estou pedindo

sou digno de ser mendigo

eu não encaro como profissão

até nem é tão divertido

melhor ter nascido cão

.

Antonio Thadeu Wojciechowski, Edílson del Grossi, Édson de Vulcanis, Márcio Goeder e Marcos Prado

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saudades do papai-mamãe

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por falta de pijama

dormi de baby-doll

a polução noturna

me veio ao nascer do sol

entra adentro minha turma

fazendo arruaça na cama

pedi vodka, veio sexo

ainda não sei se gozei

ou tive um ataque epilético

por trinta dinheiros

comprei uma forca nova

quanto vai ser o lucro

dos gigolôs da minha cova?

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Sérgio Viralobos

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lavabo pro porco cerebral

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para o porco puro de coração

vale a lavagem da alma

para um porco nojento cachaço capadão

o importante é a lavagem cerebral

o porco político brasileiro

só da valor à lavagem do dinheiro

lavabo pro porco cerebral

vazo minhas tripas e mostro o pau

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Antonio Thadeu Wojciechowski, Sérgio Viralobos e Ubiratan Gonçalves de Oliveira

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Post anterior

•04/10/2009 • Deixe um comentário

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Jardim de Jasmim

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Para Augusto de Campos

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Mar de pranto, monte de gemidos,
procuro uma primavera que me dê ouvidos,
luz para os meus olhos perdidos
e alívio para os males que maldigo.
Mas, traidor de mim mesmo, trago comigo
o amor-morte e suas bruxarias
que transformam em horror as maravilhas.
E para que o paraíso não apenas aparente
eu chego junto com a serpente.

Antes o frio do inverno venha congelar
o sol deste lugar
e a neve deixe prateada
a floresta a rir em minha face resfriada.
Mas para que possa padecer
o sofrimento sem desamor, deixe-me ser, amor,
como eu sou, sem tirar nem pôr,
milagre de mágoa
ou vale de lágrimas a fluir de um olho d’água.

Recolham então, amantes,
meu pranto-fel de amor
e comparem com prantos semelhantes
que mentem, se não têm igual sabor.
O coração não bate em todo olhar,
as lágrimas da mulher nem sempre são
a imagem real, a legítima expressão.
Oh, sexo perverso, falsa mente-mulher,
a fêmea veraz que me assassine se puder.


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John Donne

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Tradução de  Antonio Thadeu Wojciechowski

johndonne


O tamanho do mundo

•02/10/2009 • 3 Comentários

comparativo

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O mundo é grande demais pro nosso tamanho?

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Veja esses comparativos e saiba a diferença entre os planetas do sistema solar, e a do nosso sol com algumas outras estrelas. Pra quem não gosta de ler, as figurinhas dão cabo da missão de informar. Hehehe…

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comparativo1.

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comparativo2.

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comparativo3.

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comparativo4.

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Páginas Imortais – ALMA

•02/10/2009 • 1 Comentário

ny

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Alma - Pegue o espírito.

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“Mas a carne que é humana! A alma é divina.

Dorme num leito de feridas, goza

O lodo, apalpa a úlcera cancerosa,

Beija a peçonha, e não se contamina!”

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( Excerto do poema Gemidos de Arte, do livro Eu, de Augusto dos Anjos)

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O genial Nelson Rodrigues dizia que a única coisa que o mantinha de pé era a certeza da imortalidade da alma. “Eu me recuso a reduzir o ser humano à melancolia do cachorro atropelado. Que pulhas seríamos se morrêssemos com a morte.” Pré-existente e sobrevivente, alma é coisa do outro mundo. Negando ou aceitando, todos palpitam. Primitivos, bárbaros ou totêmicos, todos carregamos o diabo da alma que nos carrega. Os ateus, que Deus os perdoe!, já escreveram tratados tratantes, teses massudas, doutorados primários, filosofias magoadas, enciclopédias incompletas, dicionários ilegíveis, só pra negar uma coisa que, para eles, deve ser quase visível de tão palpável. Na Terra, entre robalos, traíras e trutas, tem gente que não consegue ser fiel nem à sua própria alminha. Pescadores de Almas e Homens sabem que alma é luz sob medida. Quem acha que “alma” é igual a “energia” deve bater papo com o ferro elétrico. Ou pedir para o ligarem numa tomada na hora da morte, pra ver se volta. Cruz e Souza era uma boa alma. Augusto dos Anjos era um anjo. Allan Kardec, espirituoso, trouxe a alma do outro para este mundo, isso no Ocidente. No Oriente, há milênios, já era assunto de botequim essa coisa viva que agita a matéria, submetida à lei de causa e efeito, ao “karma”, progredindo ao infinito. Por isso, não é possível que os curitibanos Paulo Leminski e Marcos Prado tenham nos abandonado. Olhe bem, preste atenção. Eles estão aqui. Só pra você ver, leitor(a), como as almas estão com tudo e não estão prosa.

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

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Eternidade Retrospectiva

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Eu me recordo de já ter vivido,

Mudo e só por olímpicas esferas,

Onde era tudo velhas primaveras

E tudo um vago aroma indefinido.

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Fundas regiões do Pranto e do Gemido,

Onde as almas mais graves, mais austeras

.Erravam como trêmulas quimeras

Num sentimento estranho e comovido.

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As estrelas longínquas e veladas

Recordavam violáceas madrugadas,

Um clarão muito leve de saudade.

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Eu me recordo d’imaginativos

Luares liriais, contemplativos

Por onde eu já vivi na eternidade!

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Cruz e Sousa

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palmas para as vaias que elas merecem

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não têm valor

os valores que não valem vaias

não têm alma

as almas que não batem palmas

.

vamos aplaudir as palmas

salvas de palmas para as almas salvas

sonoras vaias

aos que não podem ir sem levá-las

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Thadeu W, Plínio Gonzaga e Sérgio Viralobos

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descascando cebola

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dentro do dentro

no meio do miolo

nas profundas do centro

do núcleo de tudo

é ali, no fundo, no fundo,

que habita você

minhalma doutro mundo

.

Roberto Prado

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Do livro O

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se o corpo abandonar minha alma

não tenha de mim uma idéia falsa

não chore, mantenha a calma

estou morto por minha causa

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cuidado: assim como sua mala

o meu caixão não terá alça

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Marcos Prado

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Rumo ao sumo

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Disfarça, tem gente olhando.

Uns, olham pro alto,

cometas, luas, galáxias.

Outros, olham de banda,

lunetas, luares, sintaxes.

De frente ou de lado,

sempre tem gente olhando,

olhando ou sendo olhado.

Outros olham para baixo,

procurando algum vestígio

do tempo que a gente acha

em busca do espaço perdido.

Raros olham para dentro,

já que dentro não tem nada.

Apenas um peso imenso,

a alma, esse conto de fada.

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Paulo Leminski

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minha alma

anda anoitecendo

cedo demais

dia claro

e a escuridão

lá dentro

pipocando

estrelas geniais

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Solda

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ciclovida

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a

alma

é o

tempo

o

corpo

é o

espaço

.

a

alma

ocupa

o

corpo

espaço

e

tempo

se

completam

.

a

alma

deixa

o

espaço

o

corpo

deixa

o

tempo

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Rui Werneck de Capistrano

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alma gêmea

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jamais imaginei a tua imagem

mas quando a vi reconheci

o tempo parado a esculpir

tua beleza que pede passagem

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Antonio Thadeu Wojciechowski

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Irene no Céu

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Irene preta

Irene boa

Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:

-Licença, meu branco!

E São Pedro bonachão:

-Entra, Irene. Você não precisa pedir licença!

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Manuel Bandeira

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Uma alma de Dalton Trevisan

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Texto 51, do livro 234

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- Quando você pula do trampolim, um friozinho na barriga, sente que o corpo se separa da alma – e cai mais depressa que ela. Aos gritos de perdê-la pela boca aberta.

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Dalton Trevisan

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•30/09/2009 • 2 Comentários

VMayakovsky

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você bem que podia
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pintei o sete do dia-a-dia
lambuzado até os tubos de tinta
e entreguei de bandeja, vazia,
a cara de uma caravela extinta

das asas de um escaravelho de ouro
me chamam pra ser criança de novo

e agora que são elas, sujeito,
você bem que podia, aos outros,
soprar um chorinho brejeiro
na flauta transversal dos esgotos!

Vladimir Maiakóvski

(Rússia, 1893-1930)

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Por Antonio Thadeu Wojciechowski, Roberto Prado e Ubiratan Gonçalves de Oliveira

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•30/09/2009 • Deixe um comentário

caneta

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o eterno retorno

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me lembro bem, eu já fui um deus

daqueles que moviam mundos e fundos

bastava rir para ver tudo florir

mas aqueles que eu chamava de meus

aqueles que deveriam ter fé

foram virando as costas

e, sem mais nem menos, me largaram a pé

sem perguntas e sem respostas

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eu sabia que a sensação de estar só

como tudo nesse mundo

um belo dia, retornaria ao pó

e assim me tornei um vagabundo

um inútil pária das estrelas

um monumento ao nada que sirva

um sinônimo de ovelha

não de pastor ou cristo ou shiva

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o mundo era meu, estava escrito,

no entanto, não tomei posse

e deixei o bem dito pelo maldito

mas se a luz é sombra até que se mostre

encontrei no breu o farol da volta

a poesia me pegou na veia

e, com mil poetas como escolta,

voltei à vida com a caneta cheia!

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Guardador de Vaca

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•30/09/2009 • Deixe um comentário

FE

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Igrejaculou Precoce

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Grande concentração de milagres

Trabalhamos com confissões e despachos

O mal que te aflige nos revolta

Sem pecado pescamos cabeças de bagres

Tiramos pó de teus pés em nossos capachos

Aqui quem entra armado sai sem escolta

Erguemos um altar pra que te consagres

Um vinho irado te verterá dos cachos

Satisfação garantida ou tua dor de volta

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Sérgio Viralobos

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•30/09/2009 • Deixe um comentário

sponholz

Isidório Duppa por Roque Sponholz

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Olá, Amigos! A partir do dia 1 de outubro estaremos toda quinta-feira às 21h com a apresentação do Stand-up completo do “Semo Polaco Non Semo Fraco” no Bar Seu Chico (Av. Manoel Ribas, 656, a 100 metros da torre da Telepar). Reúna o pessoal e vamos passar alguns momentos de muito riso!

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PS1: lembrando que o Livro “Isidório Duppa em Semo Polaco Non Semo Fraco” já se encontra disponível, quem desejar ser o “Feliz Proprietário” (sendo otimista), de um volume da primeira edição histórica pode entrar em contato comigo pelo telefone 9971-5875, que damos um jeito de entregar.

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PS2: Ah…pros amigos é só trintão!

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PS3: é uma obra de Auto-ajuda… Só eu já comprei três pra me ajudar.

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Isidório Duppa

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•30/09/2009 • Deixe um comentário

Alice-Ruiz

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A minha querida Alice Ruiz acaba de ganhar o prêmio Jaboti, na categoria poesia. E foi mais do que merecido, Alice viaja por áureas estrelas em seu ângelo canto há muito tempo e seu talento é imenso.

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Se

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se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

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eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto

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ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

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daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse…

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Alice Ruiz

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•30/09/2009 • 2 Comentários

luiz_claudio_soares_de_oliveira

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Luiz Cláudio by Priscila Forone.

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A origem da poesia ácida de Dalton Trevisan

na análise de Luiz Cláudio Soares de Oliveira.

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O bom mau humor de Dalton não é de hoje. Todo mundo sabe que o que é bom nasce feito, portanto o nosso querido poeta já veio ao mundo com esse sangue bom em sua veia poética. Mas isso não tem importância. O que eu quero mesmo lhes dizer é que o meu amigo Luiz Cláudio, jornalista da Gazeta do Povo, andou fuçando durante muito tempo as edições da revista Joaquim, publicadas entre 1946 e 1948. Mas o que ele pretendia ao meter o nariz onde não era chamado?

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A origem da poesia de Dalton Trevisan.

Claro, nada mais que isso. O sucesso do vampiro tinha que vir de algum lugar. E estava aqui em Curitiba, na cara de todo mundo. O nosso bardo, que hoje tem 84 anos, já destilava suas raízes para fazer poesia da boa desde rapazote, com 12 anos incompletos. 3 anos depois, escrevia e dirigia a revista Tingui. E, pasmem, o início de sua revolucionária produção literária, foi em versos. Mas isso não tem importância.

Virando a página de alguns anos, encontramos Trevisan à frente da Revista Joaquim, uma das mais importantes publicações que pintaram por estas bandas. Sua importância pode ser comparada ao jornal Nicolau, dirigido pelo meu amigo Wilson Bueno, outro vate que enche de luz as tentativas de trevas que lançam sobre a Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.

Luiz Cláudio, inteligente, atento, perspicaz, assim que saíram as edições completas de Joaquim, em 2001, por obra e graça da Imprensa Oficial do Paraná, se jogou de corpo e alma sobre elas, para extrair o que teremos diante dos olhos hoje: Dalton Trevisan (En)Contra o Paranismo, a partir das 19h30, no palco do Teatro da Caixa Caixa, que fica na Rua Conselheiro Laurindo, 280. Ali haverá uma conversa entre Luiz Cláudio e os jornalistas Otávio Duarte e José Carlos Fernandes. A entrada é franca e o bate-papo também. Os ingressos serão distribuídos a partir do meio-dia. Vão lá e garantam o seu. Depois, é claro, o Luiz parte pro abraço e autógrafos.

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Sucesso, Luiz Cláudio! Você merece.

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Polaco da Barreirinha

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

benett

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Texto extraído do blog do próprio Benett.

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Era uma noite escura e tempestuosa...

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Sábado estivemos numa simpática pousada no meio do nada, ou melhor, em São Luis do Purunã. Árvores e mais árvores, um lago, garoa, névoa, frio, a típica paisagem bucólica da região onde nasci (há uns 80 km do nada). Uma mistura de A Vila com A Bruxa de Blair. Plantamos ipês amarelos num campo imenso cercado por árvores que dão barba de bode (aprendi isso lá). As plantas ficaram ao lado de umas estacas com os nomes de cada um que plantou uma árvore. Como bem observou o cartunista Tiago Recchia, aquele cenário parecia um cemitério, ou algo que prenderia simbolicamente nossas almas por lá. Alguns mijaram um pouquinho nas calças, consequencia do calafrio que lhes subiu às espinhas quando ele disse aquilo.

Além de nós dois, plantaram suas árvores o Paixão, Pancho, Solda, Cristóvão Tezza, Dante, Sponholz,, Marco Jacobsen, Antonio Thadeu WojciechowskiMiguel Sanches Neto. e espero não ter esquecido nenhum nome. Quando vou para o Rio é inevitável sentir-me tentado a morar lá. Vocês sabem, aquele cenário é de uma exuberância covarde. Mas quando me deparo com lugares como este que vi em São Luiz do Purunã, penso que meu coração e minha alma pertencem ao lúgubre, ao pântano, ao viscoso, ao musgo, as salamandras e aos sapos. Um dia vou morar numa charneca.

P.S. – Não, não tinha névoa naquele dia.

P.S. 1- Alguns fantasmas do passado deixaram minha visão dessa região meio turva, mas aquele é um lugar lindo. Cheio de cânions, platôs e tudo o mais. Exceto pântanos. Talvez haja algum brejo, mas não pântanos.

Beautiful!

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

soalegria

 

“Plantado por escritores e cartunistas que acreditam na força do traço e das letras para dotar a vida de sombra e água fresca”. Com esta placa, sábado passado (19) a Pousada Parque São Luiz do Purunã  inaugurou um bosque dedicado aos escritores e cartunistas, depois de uma feijoada para comemorar o Dia da Árvore.

Por iniciativa do empresário rural Casto José Pereira, proprietário da Pousada São Luiz do Purunã, em torno de 40 convidados passaram um sábado mais que perfeito: caipirinha, feijão, humor, música e, ao contrário do tempo que serra abaixo e serra acima se mostrava brusco, o clima de comemoração entre velhos e novos amigos foi o de sempre, tão leve quanto o sol de primavera que apareceu no final da tarde.
Os trabalhos da Feijoada do Purunã foram iniciados às 11 horas, com a abertura das panelas às “14 en punto de la tarde”. Depois da homenagem ao cartunista Solda, das rápidas palavras de alguns convidados (com destaque para o discurso do historiador Carlos Solera), do show do polaco Isidório Duppa e uma canja de jazz dos músicos Glauco Sölter (baixo acústico) e Paulinho Sabbag (teclado), a trupe de escritores, cartunistas e demais agregados varou o campo para inaugurar no alto da coxilha o “Bosque do Riso e da Palavra”. Na véspera do Dia da Árvore, e da sagração da Primavera, dezenas de mudas de ipês amarelos foram plantadas nas sombras de um capão de araucárias e outras espécies nativas. Cada qual com respectivos nomes impressos, os convidados fincaram junto aos ipês suas marcas de passagem para futuro reconhecimento. Não sem antes Thadeu Wojciechowski declamar o poema de Augusto dos Anjos “A árvore da Serra”. A pedido de Eloi Zanetti, no próximo ano a “Feijoada do Riso e da Palavra” terá sua segunda edição, revista e ampliada. Com o mesmo espírito e no sábado anterior ao Dia da Árvore, quando o escritor Cristovão Tezza vai ganhar mais um prêmio: passar o dia deitado na rede, vendo o seu ipê amarelo crescer em São Luiz do Purunã.

Dante Mendonça (22/9/2009). O Estado do Paraná.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

thadeu-e-lina

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Eu e Lina Faria. Ela tomando um fôlego pra recomeçar a fotografar, eu, tomando uma batidinha de vodka, que ninguém é de ferro.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

Solda-e-Catarina

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Catarina torcendo para o sucesso do Solda.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

roque-tezza-solda-e-vera

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Roque Sponholz, Cristóvao Tezza, Solda e Vera Prado. Uma floresta inteira de talentos.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

placa

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Soldinha descerrando uma placa em sua homenagem.O Casto fez um belo discurso, emocionando todo mundo.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

Luis-Mello.

O ator Luís Mello desempenhou magnificamente o papel de plantador de ipê.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

genteboa

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Muitas árvores foram plantadas, para alegria de toda essa gente boa da melhor qualidade.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

Elisa-e-Eloi-Zanetti

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Elisa e Elói Zanetti. Partiu dele a idéia de tornar esse encontro uma festa anual com a nossa presença e a de muitos outros convidados. Oba!

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

dante-e-solda

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Dante Mendonça e Solda plantaram seus respectivos ipês e se tornaram eternos no Bosque da Arte e da Palavra.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

plantio

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Casto, Thadeu, Beto Bruel e Soldinha, foto Catarina Velasco. No momento em que eu declamava o poema, do Augusto dos Anjos, A Árvore da Serra.

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thadeuplantando

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ipê amarelo

pregado firme no chão

à mão e a martelo

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Thadeu W

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•29/09/2009 • 1 Comentário

octaviocamargo_e_barbarakirschner_foto_gilsoncamargo_wonkabar_16_03_08_ctba5

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Octávio Camargo e Bárbara Kirchner no Wonka, foto by Gílson Camargo. Em breve estaremos lançando 4 CDs, com 56 canções, que a gente fez em grandes noitadas aqui na Barreirinha.

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•29/09/2009 • Deixe um comentário

thadeu-e-beto-maciel

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Além do velho amigo Júlio César, que encontrei por acaso quando me dirigia ao Pudim com o Fajardo e a Ariete, revi também o meu bom Beto Maciel, jornalista e amigo, de longa data, meu e do Walmor Marcelino.


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•29/09/2009 • Deixe um comentário

pudim2

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Thadeu, Christhiane de Macedo, Gilson Camargo e Beto Maciel. Na lente do Ronildo Maciel.


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•29/09/2009 • Deixe um comentário

pudim

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Delair, Nancy, Fajardo, Beto Maciel, Francisco, Ariete, Thadeu e Júlio César no bar Pudim, tomando umas e lembrando as incríveis peripécias do Walmor Marcelino.

Foto de Ronildo Pimentel.

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Para Ariete


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aquilo

que era

quimera

o tempo desfaz

.

sei apenas

que o que era guerra

descansa em paz

.

aquilo

que foi e não é mais

ainda existe

.

só que agora

deixa a gente triste

.

Thadeu W

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