SABOROUm regato em meio ao mundo cão.

Gosto de pensar que sobrevive no território da nossa alma um pedacinho ainda não devastado pela grosseria ou poluído pela boçalidade da vida. E deliro que ali, em meio ao nosso interior mundo cão, existe o regato sobrevivente no qual, por incrível que pareça, corre água e não lixo.

Às vezes garro a imaginar que as fronteiras dessa reserva de pura, simples e boa humanidade pode ser ampliada aos pouquinhos. Sim, talvez esse ecossistema contagie o terreno minado pela dureza dos nossos corações e regado com a lavagem da sobrevivência.

Mas, para saber se esse território existe mesmo é preciso, antes, chegar lá. Nem tente o caminho da lógica, da violência, da audácia, da determinação, da ciência. Lá é o território das delicadezas que temos nos negado e lá se chega com as iluminações súbitas, que subvertem nossas próprias defesas, armadas até os dentes.

Ali se chega por insignificâncias, como essas que nos dá o Saboro Nossuco. Iluminação assim desprotegida, desarmada, um fardo leve e um jugo suave.

Ou, por outro mesmo lado, dá para encarar Saboro Nossuco apenas como literatura, tudo bem. Mas você não sabe o que está perdendo. Ou melhor: sabe sim.

Roberto Prado

Poeta

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~ por polacodabarreirinha em 17/05/2009.

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