Foto de Alberto Melo Viana – que não faz parte da matéria da Gazeta do Povo.

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GAZETA DO POVO – BLOG DO CARDERNO G

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TODOS OS PASSOS NA CÂNDIDO DE ABREU

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Já contou quantos passos são necessários para sair da esquina da Assembléia Legislativa e chegar na rotatória da prefeitura de Curitiba? Poucos? Muitos? Depende, naturalmente. Mas no sábado de Carnaval aquele trecho da Cândido de Abreu foi um trampolim para a eternidade. Quem pisou ali, na passarela ou pelas laterais, experimentou aquela sensação em que parece que os ponteiros do relógio param e, então, algo que pode ser eterno acontece.

Arquibancadas cheias. O Carnaval de rua em Curitiba existe sim. E o desfile deste ano mais que impressionar, supreendeu. Quem destrancou a avenida foram os Bloco Afoxé e Derrepente. Mas, quando as luzes naturais do dia lentamente começaram se apagar, o Rancho da Flores fez muita gente cantar. Crianças balançavam o corpo. Justamente no desfile do bloco da terceira idade.

É o Maxixe Machine quem faz a trilha sonora e este ano a canção “Água, Vida e Fantasia” abria sorrisos, convidava ao abraço. A música, de Thadeu Wojciechowski e Luiz Ferreira, tem um texto certeiro:

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ÁGUA, VIDA E FANTASIA

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Quem sai na chuva é pra se molhar

Carnaval é pra pular

Viver, brincar


Água em pedra rebenta e não demora

Se for pra ser feliz que seja agora


É lindo este povão

Sorrindo na avenida

Chegamos pra mudar a sua vida


Sai pra lá, mau humor

Vem pra cá, alegria

Rancho das Flores:

Água, vida e fantasia.

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O poeta Wojciechowski desfilou na Avenida, em meio à banda, ao lado de Rodrigo Barros e companhia, e nas arquibancadas centenas de pessoas repetiam Sai pra lá, mau humor/ Vem pra cá, alegria/ Rancho das Flores: Água, vida e fantasia.

Um dos poucos foliões fantasiado era um guarda municipal que usava uma roupa preta que representa a morte. Alguns guardas fazem vigília ao lado da prefeitura, em meio a barracas e caixões. Então, em meio à folia do Rancho das Flores, um folião pisa na fantasia do guarda e deixa, por instantes, a “morte” parasilada, sem ação.

Confetes e serpentinas, estrelas e sorrisos. As escolas de samba de Curitiba evoluem, incrivelmente, ano após ano. E o público reconhece. Baterias sensacionais. Enredos bons. Fantasias e alegorias surpreendentes. “Bravo, bravíssimo,/ Na mística do circo, a arte imita a vida,/ Num lago de cisnes me banhei/ Que beleza de balé na avenida”, cantavam, madrugada que seguia, os integrante da Acadêmicos da Realeza, que apresentou uma música sobre teatro e delírio.

Já é domingo. Mas eu gostaria muito que a noite de ontem não tivesse terminado.

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Marcio Renato dos Santos

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~ por polacodabarreirinha em 15/02/2010.

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