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Jardim de Jasmim

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Mar de pranto, monte de gemidos,

procuro uma primavera que me dê ouvidos,

luz para os meus olhos perdidos

e alívio para os males que maldigo.

Mas, traidor de mim mesmo, trago comigo

o amor-morte e suas bruxarias

que transformam em horror as maravilhas.

E para que o paraíso não apenas aparente

eu chego junto com a serpente.

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Antes o frio do inverno venha congelar

o sol deste lugar

e a neve deixe prateada

a floresta a rir em minha face resfriada.

Mas para que possa padecer

o sofrimento sem desamor, deixe-me ser, amor,

como eu sou, sem tirar nem pôr,

milagre de mágoa

ou vale de lágrimas a fluir de um olho d’água.

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Recolham então, amantes,

meu pranto-fel de amor

e comparem com prantos semelhantes

que mentem, se não têm igual sabor.

O coração não bate em todo olhar,

as lágrimas da mulher nem sempre são

a imagem real, a legítima expressão,

oh, sexo perverso, falsa mente-mulher,

a fêmea veraz que me assassine se puder.

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Livre adaptação de Antonio Thadeu Wojciechowski do Poema  Jardim de Twicknam, de John Donne.

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~ por polacodabarreirinha em 11/05/2010.

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